Brasil lidera exportações de carne
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terça-feira, 08 de julho de 2003
Agência Estado 
Brasília As exportações de carne bovina no acumulado dos últimos 12 meses somam 1,5 milhão de toneladas, ultrapassando o volume embarcado pelo País que liderava o setor, a Austrália, informou ontem o coordenador do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira. ''O Brasil hoje é o maior exportador de carne do mundo'', comemorou. Além disso, as vendas do concorrente estão em queda: a Austrália exportou 70.716 toneladas em junho, o que representou diminuição de 7,1% na comparação com o mesmo mês de 2002.
Nogueira, que participou da primeira reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Carne Bovina, estimou que os pecuaristas brasileiros produzirão 7,5 milhões de toneladas de carne bovina neste ano, frente aos 7,1 milhões de toneladas de 2002. No primeiro semestre, os preços médios pagos pela carne bovina recuaram 6,7%, como resultado do aumento da oferta. O assessor técnico do Departamento Econômico da CNA, Paulo Mustefaga, lembrou que a queda de preços é normal no primeiro semestre, com tendência de preços em recuperação nos seis últimos meses do ano.
O pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), Sérgio De Zen, lembrou que os preços futuros indicam cotação máxima de R$ 66,00 por arroba entre outubro e dezembro, ante pico de R$ 56,30 por arroba em novembro de 2002 na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). Para De Zen, o ''equilíbrio de preços no segundo semestre está muito frágil'', pois as variações são condicionadas ao câmbio e ao mercado interno.
Contrariando a expectativa dos exportadores, Nogueira aposta em aumento dos embarques no segundo semestre. ''As exportações continuarão superando os volumes registrados no ano passado'', afirmou.
Os custos de produção da pecuária de corte subiram 7% no primeiro semestre. Um estudo feito pela CNA e pela USP considera dados coletados nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará , Rondônia e São Paulo, que concentram 52,49% do rebanho nacional.
O levantamento apontou que o sal mineral, que representa mais de 20% das despesas mensais do setor, ficou 11,11% mais caro no primeiro semestre. Máquinas e implementos agrícolas tiveram alta de 19,55%, enquanto as despesas com mão-de-obra subiram 20%, refletindo, entre outros pontos, o reajuste do salário mínimo.
Outros dados divulgados ontem mostram que nos últimos dias a média diária de entrada de bovinos no Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina (Sisbov) saltou de 35 mil para 50 mil. A partir do dia 15 de julho, só será exportada para a União Européia carne de bovinos credenciados no Sisbov - ou seja, rastreados - há pelo menos 40 dias.


