Brasília As exportações de carne bovina em 2004 devem manter o Brasil na liderança do mercado mundial pelo segundo ano consecutivo. O País espera vender até dezembro 1,7 milhão de toneladas, o que vai representar uma receita de US$ 2,3 bilhões, calculou ontem o presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira.
No acumulado do ano até setembro, o Brasil já superou a meta da Austrália, segundo maior exportador, para todo o ano.
Os frigoríficos brasileiros exportaram até o mês passado 1,33 milhão de toneladas de carne bovina, com receita de US$ 1,79 bilhão. No mesmo período, a Austrália exportou 951,5 mil toneladas de carne bovina e as previsões indicam embarques totais de 1,3 milhão de toneladas até dezembro.
''O Brasil até agora já vendeu 40% a mais do que a Austrália'', comemorou Nogueira. Para ele, em 2005 as exportações de carne bovina devem crescer 20%. ''O Brasil é competitivo, tem produto de qualidade e continuará sendo um grande competidor no mercado internacional de carnes''.
A FAO, órgão das Nações Unidas ligado à alimentação, já previu recentemente crescimento de 20% nas vendas do produto brasileiro.
Nogueira discordou, no entanto, da previsão divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que sugeriu crescimento de 10% nas vendas externas do Brasil. ''Não sei qual foi a base para esse cálculo, mas as exportações crescerão mais do que isso'', disse.
De janeiro a setembro, as exportações cresceram 77% em relação ao US$ 1,017 bilhão de igual período de 2003. Em volume, elas ficaram 43% acima das 930 mil toneladas no acumulado do ano passado.
Custos Levantamento da CNA e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP) mostra que os custos totais da pecuária de corte cresceram 8,27% no acumulado dos nove primeiros meses do ano.
''Os preços pagos pelo boi gordo caíram 1,72% no período, o que não estimula a atividade'', comentou Nogueira.
Nos nove primeiros meses do ano, os preços das máquinas e implementos agrícolas (item que representa 7,53% dos custos de produção da pecuária de corte) ficaram 20,69% mais altos.
''Os bons resultados obtidos na exportação não chegam ao campo'', ressaltou. Para ele, sem o repasse dos ganhos da exportação, os frigoríficos ''estão dando um tiro no próprio pé'', pois a oferta de boi gordo será menor em 2005.
''Sem o repasse, eles terão dificuldade em cumprir contratos de exportação, principalmente no segundo semestre, no período de entressafra'' comentou. Em 2004, comentou, os abates de bovinos devem atingir o recorde de 40 milhões de cabeças.

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