Brasil lidera comércio mundial de carne bovina
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de janeiro de 2006
Marli Moreira<br> Agência Brasil 
São Paulo - Apesar dos problemas com a febre aftosa, a carne bovina brasileira continuou sendo a mais consumida no mercado mundial em 2005. Foram embarcadas 2,3 milhões de toneladas para 150 países, 18% mais que em 2004. Em dinheiro, as vendas somaram US$ 3,149 bilhões, número 22,4% superior ao de 2004. Foi um recorde na história do setor, segundo o balanço divulgado pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).
Mesmo assim, o diretor executivo da entidade, Antônio Jorge Camardelli, afirmou em entrevista à Agência Brasil que o resultado ficou um pouco abaixo da expectativa do setor. ''Acreditávamos em um valor cerca de U$S 250 milhões acima do obtido''.
Na avaliação de Camardelli, o desempenho só não foi melhor por causa de uma série de adversidades, que não se resumiram ao surgimento do foco de febre aftosa em rebanhos de Mato Grosso do Sul, em outubro do ano passado. Também teria havido registros da doença no Paraná, de acordo com o Ministério da Agricultura. Camardelli cita ainda o impacto do dólar, que teria tido variações desfavoráveis às exportações.
Para ele, este primeiro semestre deverá ser de ajuste, um período para ''se reverter o efeito dominó''. O diretor refere-se aos embargos ainda mantidos por 50 países devido aos problemas, mesmo que localizados, da aftosa no Brasil. Camardelli, no entanto, aposta em um segundo semestre melhor.
A maior venda de carne in natura foi feita para a Rússia, totalizando 433 mil toneladas, o que gerou uma receita de US$ 555 milhões. O Egito aparece na lista como o segundo maior comprador, com 215,3 mil toneladas e valor de US$ 252 milhões, seguido pela Holanda com US$ 191 milhões; Reino Unido (US$ 181 milhões) e Itália (US$ 152 milhões).
Quanto aos embarques da carne industrializada, os Estados Unidos foram o maior importador. No ano passado, os americanos compraram US$ 205 milhões. Depois vêm o Reino Unido (US$ 130 milhões), a Venezuela (US$ 47 milhões) e a Itália (US$ 31 milhões). Entre os que mais ampliaram a compra da carne industrializada brasileira, está a Bélgica. Para lá seguiram US$ 12 milhões, o que representa uma expansão de 163%.


