FORTALEZA - O Brasil voltou, mais uma vez, a tomar a iniciativa de liderar o processo de integração econômica da América Latina. O recado do presidente Fernando Henrique Cardoso foi claro ao se dirigir ontem,de forma direta, ao presidente do Chile, Eduardo Frei. Segundo FHC, o Mercosul está em um processo mais avançado de integração econômica em relação ao Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte).
‘‘Não devemos falar de integração do Mercosul ao Nafta, mas do Nafta ao Mercosul’’, disse o presidente enquanto era observado atentamente por Frei, convidado a participar da 11ª Reunião do Conselho do Mercado Comum. FHC deu ênfase aos avanços que o Mercosul vem dando para atrair os demais países latino-americanos.
O recado de FHC a Frei, cujo governo gestiona a adesão isolada ao Nafta, ainda foi mais incisivo quando o presidente brasileiro explicou o significado do logotipo do Mercosul. ‘‘Esse Cruzeiro do Sul, que marca esse hemisfério, tem uma grande vantagem, já que é uma constelação infinita. Quanto mais países entrarem, mais estrelas a poremos’’, afirmou.
Segundo ele, a bandeira do Brasil já faz uma certa referência ao Cruzeiro. ‘‘Ao criar novos Estados, foi possível tambem ampliar as estrelas na nossa bandeira, sem que isso desorganizasse o desenho e o simbolismo que nela existe’’, acrescentou.
FCH disse também estar otimista com a possibilidade de a Venezuela e a Colômbia, como os outros países do Pacto Andino, aderirem ao Mercosul em 1997.
No seu discurso, FHC lembrou ainda que o comércio regional desde o começo da integração, em 1991, quando o Tratado de Assunção foi criado, teve resultados muito positivos. ‘‘Creio que estamos chegando a uma base sólida’’, afirmou. De acordo com ele, o intercâmbio comercial no Mercosul cresceu de US$ 5 bilhões, em 1991, para US$ 15 bilhões no ano passado.
Acrescentou ainda que o comércio do Mercosul com terceiros países aumentou de US$ 29 bilhões para US$ 55 bilhões no mesmo período. ‘‘Estamos partindo para dimensões de maior profundidade’’, disse o presidente. Olhando para os ministros de Economia do Brasil, Pedro Malan, e da Argentina, Roque Fernadez, FHC emendou: ‘‘Nossos ministros de Finanças, aliás, todos os da área econômica, precisam rir mais, com nós, diante desses resultados.’’
Segundo FHC, o Mercosul começou a discutir questões ligadas diretamente às pessoas comuns. ‘‘É o caso do estatuto de defesa do consumidor do Mercosul’’, lembrou.

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