Brasil joga fora R$ 210 bi arrecadados com impostos
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sexta-feira, 02 de junho de 2006
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Com uma das cargas tributárias mais altas do mundo, chegando a 37,50%, o brasileiro tem que pagar por ano 62 tipos de tributos - 12 impostos, 20 contribuições e 32 taxas. ''O que ocorre no Brasil é o aumento seguido dos impostos e contribuições sobre a economia formal. Os tributos estão embutidos no preço final e o cidadão acaba pagando o que não vê e não sabe'', afirma o presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), Gilberdo do Amaral. Ele esteve ontem em Londrina proferindo palestra para representantes comerciais. O evento foi promovido pelo Conselho dos Representantes Comerciais do Paraná (CorePR), que inaugurou à noite a agência regional no Palácio do Comércio.
O que gera indignação não é só o número de impostos pagos, mas o destino do que é arrecadado. Dos R$ 732,87 bilhões de impostos arrecadados em 2005 pelo governo brasileiro, 32% foram desviados para a corrupção e a ineficiência do serviço público. ''Isso significa que jogamos fora R$ 210 bilhões por ano'', afirma Amaral. A arrecadação de um ano daria para dar medicamento para a população brasileira por 20 anos; alimentação por 15 anos e casas populares para 7,5 milhões de famílias. ''Isto demonstra que o poder público é incompetente, corrupto e insensível'', complementa o presidente do IBPT.
O mais absurdo, na opinião dele, é o tributo que incide sobre o tributo. ''O cidadão que paga com cheque o IPVA paga também a CPMF. ''Na verdade ninguém no Brasil sabe calcular o custo tributário. E, nessa história toda, o consumidor acaba sendo o ''segmento'' mais prejudicado com a carga tributária.
Segundo Amaral, o cidadão paga tributo para ter um serviço público como retorno, mas não é isso que ocorre no Brasil.''Pagamos imposto de renda mas não temos escolas, pagamos ICMS mas não temos saúde, pagamos Cide mas não temos estradas, pagamos IPI e IOF e não temos segurança'', diz ele, acrescentando que praticamente 40% do rendimento bruto da população vai para o pagamento de tributos. Isso equivale a dizer que o cidadão trabalha 145 dias do ano para pagamento de tributos (de 1º de janeiro a 25 de maio)'', argumenta.
Para Amaral, a natureza do cidadão brasileiro é passiva. ''Um país é civilizado não só pelo seu desenvolvimento social, mas pelo seu desenvolvimento cultural, de consciência, de participação. Aliada à consciência da população, ele observa que uma dose de boa vontade política poderia reduzir a carga tributária.
''O governador e os prefeitos têm essa autonomia. Hoje, o cidadão é refém de um sistema tributário injusto. Com essas mudanças simples, não há necessidade de se fazer uma Reforma Tributária Constitucional'', explica. Aliás, ele vê dificuldade na aprovação da Reforma Tributária. ''Por que um sistema que arrecada R$ 23 mil por segundo vai querer mudar?''questiona. Ele defende a diminuição de alíquotas através de decretos municipais e estaduais e ampliação nos prazos para pagamento dos impostos como medidas emergenciais
para amenizar a alta carga tributária.


