Brasil já vive situação de déficit de gás
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Leonardo Goy 
Brasília- O Brasil já vive hoje uma situação de déficit no mercado de gás natural. Falta gás, mas o País ainda não precisa passar por uma política de racionamento desse combustível porque as usinas termelétricas movidas a gás não estão sendo acionadas em sua plenitude.
Essas são algumas das principais conclusões de um amplo estudo sobre a matriz energética brasileira encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), ao qual o Grupo Estado teve acesso.
O levantamento mostra que a projeção total de consumo de gás natural para 2008, incluindo a demanda das distribuidoras, das refinarias e todos os contratos das usinas termelétricas (ou seja, todo o gás a que elas têm direito), é de 91,6 milhões de metros cúbicos diários. A oferta total, por sua vez, fica apenas na casa dos 72,4 milhões de metros cúbicos. O que significa que, teoricamente, haverá, já no ano que vem, um déficit de 19,2 milhões de metros cúbicos de gás por dia - quase dois terços da capacidade do gasoduto Brasil-Bolívia. O estudo da CNI afirma que essa situação só não levou o País, ainda, a viver um racionamento de gás, porque a demanda está sendo reduzida de forma indireta, ''pela retirada de quase 3 mil megawatts (MW) de térmicas a gás da oferta de energia elétrica''.
''Não tem gás para as termelétricas disponíveis. Isso nos parece uma espécie de racionamento, ou de déficit de suprimento'', disse o presidente do conselho temático de infra-estrutura da CNI, José de Freitas Mascarenhas.
Pelas projeções da CNI, o déficit de gás natural em 2009 seria reduzido para 7,6 milhões de metros cúbicos por dia. A situação só seria revertida em 2010, quando as projeções indicam que haveria um superávit do combustível de 10,9 milhões de metros cúbicos.


