Belo Horizonte O início das exportações de leite em pó para o México, anunciado esta semana pelo ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, deverá reforçar o saldo comercial positivo que o País vem alcançando no setor de produtos lácteos desde o ano passado. Mas nem sempre foi assim. Em 1995, o Brasil ainda era grande importador de produtos lácteos, registrando um total de US$ 613 milhões em compras no exterior. Em 2004 o saldo da balança comercial do setor ficou positivo em US$ 11,4 milhões e as vendas externas chegaram a US$ 95,3 milhões.
''O Brasil conseguiu passar da posição de maior importador de leite do mundo para pequeno exportador'', diz o vice-presidente-comercial da CCPR/Itambé, Jacques Gontijo. Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Leite Brasil), Jorge Rubez, as primeiras estimativas são de que o País atingirá US$ 500 milhões em exportações em 2005. ''Eu duvidava deste número por causa da taxa de câmbio, mas agora, com a abertura do mercado mexicano, acho possível'', diz.
Atualmente, segundo Gontijo, o Brasil é o 5º maior produtor de leite do mundo, atrás da União Européia, EUA, Índia e Rússia. A previsão é de que o País atinja um volume de 25 bilhões de litros este ano. A produção brasileira vem crescendo a 3,7% ao ano desde 1985 e a estimativa é de atingir 36 bilhões/litros em 2015.
Da mesma forma, o consumo per capita subiu, nos últimos 20 anos, de 126 para 134 litros por ano. A melhora foi alcançada sem que os produtores brasileiros tivessem acesso a subsídios, ao contrário do que ocorre nos países desenvolvidos. O setor lácteo é considerado o mais subsidiado do mundo, com um total de US$ 41 bilhões concedidos anualmente tanto para a produção como para as exportações.
De acordo com o vice-presidente-comercial da Itambé, o momento da virada ocorreu em 2001, quando o governo adotou medidas antidumping para coibir prejuízos com importações de produtos lácteos principalmente da União Européia, Argentina e Uruguai. Paralelamente, naquele ano foram instaladas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) nas Assembléias Legislativas de alguns Estados, com o objetivo de investigar os mecanismos de formação de preços do produto. As comissões acabaram concluindo que a grande concentração das redes varejistas acabava resultando em formação de cartel.
Para Rubez, com o fim da concorrência desleal na entrada do produto no País e para fugir dos preços impostos pelos grandes varejistas, os produtores passaram a investir na modernização da indústria e também na conquista de mercados. O objetivo era acabar com a flutuação das cotações internas.
Uma das primeiras investidas no mercado internacional pelo setor foram feitas pela Serlac Trading, criada em 2002, reunindo as indústrias Embaré e Ilpisa e as cooperativas CCPR/Itambé, a Cooperativa Central de São Paulo (CCL-SP) e a Cooperativa Central Agro-Industrial do Paraná (Confepar).

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