Brasil já é o maior exportador do complexo soja do mundo
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sexta-feira, 04 de julho de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba O Brasil assumiu a liderança mundial nas exportações do complexo soja, deixando os Estados Unidos para trás. Nos últimos três anos, a agressividade na produção de soja em grão revelada por Brasil e Argentina juntos colocou a produção sul-americana sob os refletores do mercado internacional.
O Brasil vai exportar este ano 37,43 milhões de toneladas de produtos do complexo soja, seguido dos Estados Unidos que vão exportar 33,91 milhões de toneladas e em terceiro lugar a Argentina, que vai exportar 32,44 milhões de toneladas de produtos do complexo soja.
A ousadia surpreendeu os Estados Unidos. O Departamento de Agricultura norte-americano (USDA) enviou seus técnicos ao Brasil em junho deste ano para um estudo mais detalhado da produção brasileira. No relatório enviado ao órgão, os técnicos admitem que o futuro da agricultura brasileira foi ''subestimado''. Em janeiro de 2001, o USDA publicou um estudo sobre o crescimento da produção de soja no Brasil e Argentina, que já indicava um aumento na produtividade das lavouras dos dois países sul-americanos.
De posse dos documentos produzidos pelo USDA, a economista da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Gilda Bozza, produziu um material que demonstra a preocupação dos técnicos norte-americanos. Eles classificam o crescimento da produção brasileira de soja como ''dramático''.
Quando os Estados Unidos se deram conta, viram que a participação do país no mercado exportador de soja caiu de 57% para 28%, nos últimos três anos. Essa ''cochilada'' está custando caro ao tesouro norte-americano, que se viu na obrigação de bancar a produção com subsídios diretos aos produtores. A nova lei agrícola americana ''Farm Bill'', aprovada no ano passado, prevê a liberação de US$ 180 bilhões em subsídios, num período de 10 anos.
O avanço do Brasil levou os Estados Unidos a manterem um monitoramento detalhado da produção brasileira de soja e seus fluxos para o mercado internacional, disse a economista.
Enquanto isso, no mesmo período de três anos a participação da produção brasileira no mercado mundial avançou de 24% para 31%, que correspondem a praticamente um terço da produção mundial. E a participação da Argentina aumentou de 23% para 26% do mercado mundial, analisou Gilda. O desempenho das duas safras sul-americanas passou a influenciar nos preços da soja. ''Qualquer intempérie mais grave como chuva ou seca que afetam as lavouras nesses países já afetam as cotações na Bolsa de Chicago, o que antes não ocorria'', salientou a economista.
O relatório do USDA aponta que, para a safra 2002/2003, a produção de soja da América do Sul, deve somar um total de 87 milhões de toneladas, somente com a participação dos dois principais produtores. O Brasil produziu 52 milhões de toneladas e a Argentina produziu 35 milhões de toneladas de soja. Esse resultado representa 45% da produção mundial.


