Brasil já cultiva 3 milhões de ha de soja transgênica
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sexta-feira, 30 de novembro de 2001
Ana Paula Nascimento<br>De Londrina 
Polêmica e proibida para plantios comerciais no Brasil, a soja transgênica (soja RR) já ocupa clandestinamente 3 milhões de ha em solos brasileiros. Desse total, cerca de 2 milhões de ha estão no Estado do Rio Grande do Sul.
A informação foi dada ontem pelo diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (Abrasem), João Henrique Hummel, também diretor da Associação Brasileira dos Obtentores Vegetais (Braspov), que representa empresas que desenvolvem pesquisas de melhoramento genético.
Segundo Hummel, a estimativa é baseada na queda nas vendas de sementes certificadas e fiscalizadas, e em outros indícios que a associação - segundo ele - possui, como ''fitas'' que confirmam a comercialização de soja transgênica no Brasil, sem entrar muito em detalhes.
No ano passado, cerca de 60% do mercado de sementes foi ocupado por sementes certificadas e fiscalizadas, o que representou 160 milhões de quilos de sementes. Para este ano, a Abrasem estima em uma comercialização de 50 a 60 milhões de quilos, o que deve representar para o setor um prejuízo de R$ 70 milhões.
''A soja transgênica pode ser encontrada em feiras agropecuárias na Argentina, em que é possível adquirir quase todas as variedades de soja utilizadas no Brasil, e de domínio público, modificadas geneticamente'', afirmou Hummel.
Por ser um produto proibido, o custo é mais alto, e o produtor que utiliza a soja trangênica acaba ficando inserido na clandestinidade. ''Acho isso um absurdo, deixar o produtor numa situação marginalizada, quando ele está tentando sobreviver na agricultura'', defendeu Hummel. Segundo ele, baseado em informações divulgadas pela mídia, o produtor deixa de gastar de R$ 80,00 a R$ 100,00/ha, utilizando a soja transgênica. Considerando a área brasileira para o plantio de soja - 15 milhões de ha - a economia chegaria a R$ 1,5 bilhão. ''Gostaria de perguntar às pessoas que são contrárias à liberação do cultivo da soja transgênica se elas se responsabilizam por esse volume de riquezas que está deixando de ser gerado no país'', argumentou Hummel.
Quanto aos aspectos de segurança do uso da soja transgênca, Hummel afirmou que preferiria consumir soja transgênica a soja convencional. ''A soja transgênica tem muitos estudos sobre toxicidade e cancerinogênese, diferentemente da convencional'', afirmou. Sobre a necessidade de estudo de impacto ambiental para o cultivo de soja transgênica, Hummel disse não ser necessário pelo fato da soja ser uma planta exótica, não competir com nenhuma planta tropical e requerer herbicidas que são utilizados há mais de 20 anos em território nacional.
Para Hummel, o Brasil precisa se adiantar na disputa comercial de soja. ''Com essa proibição, o país está perdendo competitividade. Temos plenas condições de atendermos o mercado de soja transgênica, orgânica e convencional, mas para isso precisamos da legalização para conseguirmos realizar um controle efetivo do que é produzido.''


