Arquivo FolhaNovo apeloCaio de Carvalho: ‘‘A campanha não terá sambão e nem vai privilegiar as curvas das mulatas brasileiras’’O governo anuncia hoje a maior campanha de atração de turistas já feita pelo Brasil no exterior. Trata-se de um investimento de US$ 3 milhões só este ano para ‘‘vender’’ as belezas naturais e a cultura brasileira na América Latina, Estados Unidos, Europa e Ásia, utilizando a máquina da mídia eletrônica, personificada na rede americana CNN.
Ao todo, serão 534,5 minutos de exposição, em oito comerciais que serão projetados 646 vezes no período de setembro a dezembro deste ano, dentro da programação diária da CNN, sob a rubrica ‘‘Sights & Sounds’’ e também no Travel Guide e na CNN Head Line News. O presidente da Embratur, Caio Luiz de Carvalho, destaca que é a primeira vez que o País decide racionalizar os recursos de forma planejada e fazer uma campanha que não se esgotará nos comerciais que serão exibidos este ano.
‘‘É um começo difícil, porque estamos mudando percepções. O Brasil é um país que tem problemas sociais e estruturais inegáveis, mas que também tem belezas naturais e culturais incomparáveis’’, diz Caio. ‘‘A campanha não terá sambão’’. Em outras palavras, é a primeira vez que os comerciais para atrair turistas serão exibidos no exterior sem privilegiar o charme e as curvas das mulatas brasileiras.
Criada pela McCann-Erikson, a campanha baseia-se em oito vídeos, dirigidos pelos cineastas Sérgio Bermudes e Ângela Rodrigues Alves. Caio salienta que três desses vídeos são ‘‘colagens sobre vários destinos brasileiros’’. Os outros cinco enfocam a Amazônia, o Nordeste, o Rio de Janeiro, o turismo de negócios e uma ‘‘coleção’’ de pássaros brasileiros.
Caio Luiz de Carvalho diz que o objetivo da Embratur e do governo é aumentar o número de turistas estrangeiros que visitam o Brasil dos atuais 2,2 milhões/ano para 3,8 milhões por ano no final de 1999. Em termos de divisas, o que se pretende é que o turismo avance da receita anual de hoje de US$ 2,3 bilhões/ano (sem computar os gastos dos estrangeiros no Brasil feitos com cartão de crédito, observa Caio) para US$ 4,2 bilhões por ano a partir de 1999.

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