Brasília - O diretor-geral da usina estatal Itaipu Binacional, Jorge Samek, disse ontem que o Brasil manterá, nas negociações com o Paraguai, a argumentação de que paga um valor justo pela energia da hidrelétrica do país vizinho. ''Vamos mostrar que o preço é justo, porque segue a média praticada no mercado'', afirmou Samek, ao sair do Palácio do Planalto após ser recebido pelo assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia.
O diretor informou que a avaliação brasileira será apresentada ao novo presidente paraguaio, Fernando Lugo, nos encontros que este terá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima quarta-feira (17), em Brasília.
Samek lembrou que os mais recentes leilões de energia hidrelétrica realizados no Brasil tiveram preços semelhantes ao que é pago atualmente ao Paraguai. Ele observou que o Brasil paga aos vizinhos cerca de US$ 45 por megawatt/hora (MWh). As autoridades paraguaias devem apresentar em breve ao governo brasileiro uma lista de reivindicações relativas à questão da energia.
Samek informou que, ainda antes de receber essa lista, o Brasil já estuda algumas eventuais contrapartidas que podem ser negociadas com o governo de Assunção.
O diretor-geral de Itaipu citou como exemplo de contrapartida a possibilidade de o Brasil financiar integralmente uma rede de transmissão 500 KW para abastecer com energia de Itaipu a capital do Paraguai, Assunção. O custo estimado desse empreendimento está entre Us$ 350 milhões e US$ 400 milhões.
Outra possibilidade, segundo Samek, é a do alongamento da dívida que o Paraguai tem com o Brasil, referente ao financiamento da construção de Itaipu. Isso reduziria os descontos mensais nos pagamentos feitos pelo Brasil em troca da energia. Os pagamentos do Paraguai ao Brasil terminam em fevereiro de 2023. Samek comentou que é possível beneficiar o Paraguai também antecipando as compras de energia.
Fora da área energética, o Brasil avalia ainda, segundo o diretor-geral, o financiamento para a indústria paraguaia no setor agropecuário. Samek citou também as possibilidades de o Brasil construir uma segunda ponte entre os dois países na região de Foz do Iguaçu, criar no Paraguai uma universidade de integração e escolas técnicas e desenvolver no país novas tecnologias ligadas à energia, como as de veículos elétricos e de motores movidos a hidrogênio.

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