Brasil insiste na queda do embargo russo
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terça-feira, 28 de setembro de 2004
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Genebra - O governo brasileiro ainda não desistiu de tentar convencer os russos a modificar as condições de acesso à carne do País no mercado de Moscou. Ainda nesta semana, diplomatas brasileiros irão se reunir em Genebra com representantes do Kremlin e, mais uma vez, vão insistir na necessidade de uma solução para as barreiras enfrentadas pela carne nacional.
Há uma semana, representantes do Ministério da Agricultura estiveram em Moscou e apresentaram argumentos contra as barreiras fitossanitárias impostas pela Rússia. A reunião, porém, não solucionou o caso. Em Brasília, os técnicos estão cada vez mais convencidos de que o embargo russo tem uma relação direta com as negociações para a entrada de Moscou na Organização Mundial do Comércio (OMC).
O Brasil se queixa de que as cotas destinadas ao País para as exportações de carne são insuficientes. Para que a Rússia seja admitida na entidade, precisará fechar acordos comerciais com todos os membros e, no caso das carnes, Moscou optou por estabelecer uma cota e dividí-la entre os países fornecedores.
O que os brasileiros se queixam é de que 90% da cota foi destinada aos Estados Unidos e a União Européia (UE). A idéia do Kremlin é de que as cotas vigorem até 2009, quando seriam renegociadas. No caso da carne de frango, o Brasil terá de competir com outros fornecedores para preencher uma cota equivalente a 30 mil toneladas por ano. O problema é que, em 2003, as exportações brasileiras à Rússia atingiram 200 mil toneladas de carne de frango. Situação similar vivem os setores de carne bovina e suína.
Na reunião que ocorre na OMC entre hoje e sexta-feira, o Brasil promete voltar a atacar a divisão das cotas feitas pelos russos, deixando claro que o País não aceitará a barreira. O acesso ao mercado russo para outros produtos agrícolas também será debatido.
Outra barreira que está em debate na OMC é a taxa imposta pela União Européia (UE) ao frango nacional. Ontem, os diplomatas e advogados da Associação Brasileira de Exportadores de Frango (Abef) entregaram aos árbitros da OMC a argumentação do País e as queixas contras as práticas de Bruxelas, consideradas ilegais. Os árbitros terão agora até o final do ano para decretar se a UE deve, ou não, modificar suas tarifas.


