Brasil inicia enriquecimento de urânio
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sábado, 06 de maio de 2006
Vladimir Platonow<br>Agência Brasil 
Rio de Janeiro - O Centro Tecnológico da Marinha, de São Paulo, foi o responsável pelo desenvolvimento das ultra-centrifugadoras que começaram a operar sexta-feira na primeira unidade de enriquecimento de urânio por ultra-centrifugadoras, instalada nas Indústrias Nucleares do Brasil (INB), em Resende, região sul fluminense. Com isso, o Brasil passou a integrar o grupo dos dez países que produzem e dominam a tecnologia de produção do combustível nuclear em escala industrial.
As ultra-centrifugadoras são aparelhos que giram em altíssima velocidade e dividem o elemento nuclear dos átomos. Neste caso, as centrífugas separam as moléculas de urânio 235 das moléculas de urânio 238 - que não produz fissão nuclear e, portanto, não gera energia.
A unidade da INB possui centenas de centrífugas, resultado do investimento de R$ 100 milhões do governo federal. Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia, o Brasil detém a sexta maior reserva de urânio mundial e a auto-suficiência brasileira no enriquecimento de urânio está prevista para 2016 -até lá, serão investidos R$ 550 milhões.
O ministro Sérgio Rezende defende a energia nuclear como única alternativa capaz de atender as demandas de forma ampla, tendo em vista a diminuição drástica das reservas de petróleo no mundo, prevista para os próximos 20 ou 30 anos, e a incerteza no fornecimento de gás natural depois que o ministro da Bolívia, Evo Morales, nacionalizou as reservas de gás e petróleo em seu país. Segundo o ministro, as energias eólica (dos ventos) e solar não se mostram viáveis em larga escala.
O mercado mundial de urânio enriquecido é estimado hoje em R$ 40 bilhões. Além do Brasil, outros nove países detém a tecnologia: Alemanha, Holanda, Reino Unido, França, Japão, Estados Unidos, Rússia, China e Paquistão. Desses, Estados Unidos e França respondem por 55% do total.
De acordo com o ministro Sergio Rezende o enriquecimento de urânio representará uma economia anual de R$ 24 milhões na primeira etapa. A unidade de Rezende vai produzir combustível nuclear para as usinas de Angra 1 e 2. Futuramente, também abastecerá Angra 3. Angra 1 e 2 geram quase 50% da energia consumida no estado do Rio de Janeiro ou 20% da região Sudeste.
O ministro informou que a decisão sobre o reinício das obras de Angra 3 deve ser tomada no mês de junho. Segundo ele, o Plano Decenal de Expansão de Energia Elétrica prevê a operação de Angra 3 em janeiro de 2013.


