Brasil, Índia e África do Sul vão criar o G3
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sexta-feira, 06 de junho de 2003
Denise Chrispim Marin<br> Agência Folha 
Brasília - O Brasil, a África do Sul e a Índia deram ontem o primeiro passo para a criação do Grupo dos Três (G3), com o objetivo de estreitar a cooperação trilateral, estimular a progressiva liberalização comercial e unificar e fortalecer as posições nos diferentes foros internacionais. Embora embrionário, esse esforço deverá envolver também o restante do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e da União Aduaneira da África Austral. A perspectiva é de que, num futuro próximo, a Rússia e a China sejam agregados, o que exigirá a transformação dessa coalizão inicial num grupo dos cinco (G5).
A decisão estratégica de unir os esforços e alinhar três países de relevância do Hemisfério Sul foi tomada durante a primeira reunião dos ministros das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, da África do Sul, Nkosazana Dlamini-Zuma, e da Índia, Yashwant Sinha.
Todos, entretanto, tiveram o cuidado de afirmar que não se trata de um alinhamento avesso ao G-8, o grupo dos países mais desenvolvidos do mundo mais a Rússia. No encontro, os chanceleres decidiram criar a primeira comissão trilateral conjunta - a semente do G3 - e recomendar aos presidentes a realização, em breve, de uma primeira reunião de cúpula trilateral.
''Não seremos excludentes. Temos todo interesse em que esse G3 possa se tornar um G5'', afirmou Amorim, ao se apoderar do nome de um agrupamento que existe, formado pelo México, Colômbia e Venezuela. ''Temos grandes expectativas que, com a cooperação realçada, o Brasil, a África do Sul e a Índia possam falar como uma voz única nos organismos multilaterais. Não estamos formando um clube exclusivista. Nossa cooperação será estendida para países com os quais temos boas relações, como a China e a Rússia'', reiterou Sinha.
No dia 18, durante a reunião de cúpula do Mercosul, em Assunção, o contorno comercial dessa aliança começará a ser delineado. Em paralelo, representantes da África do Sul, da Índia e do bloco sul-americano realizarão uma discussão técnica sobre as possibilidades de incremento do intercâmbio de bens. No mesmo evento, a Índia deverá assinar um acordo abrangente com o Mercosul, que permitirá o início de negociações sobre a redução de tarifas de importação no comércio bilateral e, no futuro, a discussão sobre a liberalização total do intercâmbio de bens e serviços.
A África do Sul conta com um acordo-quadro, com regras abrangentes, com o Mercosul, desde 1998. Em dezembro, iniciou as negociações do pacto de preferências tarifárias, que poderá envolver também os demais países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) - Botsuana, Suazilândia, Lesoto e Namíbia. Mas essas conversas ainda se mantêm emperradas.


