Brasília - O volume de comércio do Brasil com o resto do mundo está diminuindo, embora o saldo da balança comercial esteja positivo. Em fevereiro, o país obteve um superávit de US$ 259 milhões, o que elevou o saldo acumulado do ano para US$ 434 milhões, mas as exportações caíram 11,5% no primeiro bimestre em relação ao mesmo período de 2001.
Se fosse descontada do superávit acumulado a devolução de quatro aviões feita pela Varig em janeiro, no valor de US$ 329 milhões, esse saldo seria reduzido para US$ 105 milhões. A devolução de aviões é contabilizada como reexportação.
Em qualquer circunstância, o saldo do primeiro bimestre deste ano é melhor que o déficit de US$ 403 milhões registrado no mesmo período de 2001. O problema é que o país só está conseguindo produzir superávits porque a queda nas importações é ainda maior. Em janeiro e fevereiro as importações despencaram 20%.
Em fevereiro, as exportações somaram US$ 3,658 bilhões, e as importações, US$ 3,399 bilhões. Os valores diminuíram 10,4% e 15,2%, respectivamente, em relação ao mesmo período de 2001.
Com o preço do dólar alto, muitas empresas deixaram de comprar produtos no exterior. A queda das importações afeta também as exportações porque boa parte das matérias-primas utilizadas na produção de mercadorias destinadas ao mercado externo é importada.
Outra razão para a retração nas vendas é a crise econômica nos principais parceiros comerciais do país. A queda do consumo na Argentina tem causado o maior impacto no resultado comercial brasileiro.
Argentina - Em fevereiro, o Brasil exportou 70% a menos para a Argentina do que em fevereiro de 2001. Em janeiro, a queda já havia sido de 60% e está se acentuando, como já previam governo e exportadores.
No comércio com a Argentina, houve melhora nas exportações de fevereiro com relação às de janeiro, um aumento de 12%, principalmente por causa das vendas de autopeças, carne suína e minério de ferro.
Para os Estados Unidos, o Brasil vendeu 4,1% a menos em fevereiro deste ano do que em fevereiro de 2001. Para a União Européia, a queda foi de 17,5%.
O Brasil está ganhando mercado em outros países. Para a China, as exportações cresceram 75% e para a Rússia 160% no ano passado. Em fevereiro, as exportações para esses mercados também aumentaram. Para a Ásia o crescimento das vendas foi de 39% com relação ao mesmo período do ano passado, para a Europa Oriental, de 47%, para a África, de 44% e para o Oriente Médio, de 41%.

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