Brasil importa energia da Argentina um dia depois de apagão
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Lucas Vettorazzo e Julia Borba<br> Folhapress 
Brasília e Rio - Um dia depois do apagão que atingiu 11 Estados e o Distrito Federal, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) importou uma carga adicional de energia da Argentina para atender a demanda no horário de pico. Segundo o relatório Informativo Preliminar Diário da Operação (IPDO) do ONS, referente à última terça-feira (20), o País chegou a importar 998 MW no horário de pico, registrado naquele dia às 14h48. A Aneel considera que 1 MW abastece uma residência durante um mês inteiro.
Na explicação que acompanha o boletim, o ONS dizia que o pedido foi feito para reforçar o abastecimento das 10h23 às 12h e das 13h às 17h02. A carga foi destinada especificamente ao sistema Sudeste/Centro-Oeste. Desde 2010 que não se realizava esse tipo de operação entre os países. A energia da Argentina entrou no Brasil por meio de uma interligação na estação de Garabi, na cidade de Garruchos (RS). Questionado, o ONS ainda não explicou o motivo da importação.
No mesmo dia, a região Sudeste/Centro-Oeste, considerada uma só pelo ONS, recebeu energia de todas as demais regiões do Brasil. Uma das características do Sistema Interligado Internacional (SIN) é que uma região que tem excedente de geração de energia envia carga para regiões com deficit. Como os reservatórios das usinas no Sudeste/Centro-oeste estão baixos, com 17,63% de seu nível, tem havido a necessidade de se importar energia de outras regiões.
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a importação de energia da Argentina segue na linha do governo de buscar alternativas para atender a demanda dos consumidores, principalmente no horário de pico - que vem ocorrendo no início da tarde, em virtude do forte calor. A importação está relacionada com um acordo operacional energético entre os dois países e serve para que, em casos de necessidade, um país possa solicitar ao outro o envio de energia. A definição sobre a quantidade de energia necessária para ser feita nesta importação cabe ao ONS.
Na última terça-feira (20), a geração do Sudeste/Centro-oeste no horário de pico foi de 36.782 MW para uma demanda de 50.976 MW. O descasamento entre oferta e demanda foi, portanto, de 14.194 MW. Essa demanda não atendida foi coberta pela geração de usinas de outras partes do País. Itaipu, por exemplo, enviou à região 11.495 MW; o Norte e o Nordeste, mandou 1.527 MW; o Sul, 1.172 MW; e a Argentina, por fim, contribuiu com 998 MW.
O baixo nível dos reservatórios faz com que as hidrelétricas da região Sudeste/Centro-Oeste, considerada a caixa dágua do sistema, gerem menos energia que sua capacidade.
O nível dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste estavam na última terça-feira (20) mais baixos que em janeiro de 2001, ano em que o governo, comandado à época por Fernando Henrique Cardoso, teve que colocar um plano de racionamento de energia em prática. Em janeiro de 2001, os reservatórios do Sudeste/Centro-oeste estavam 31,41% cheios. Na última terça (20), os mesmos reservatórios estavam em 17,63%.


