A Delegacia do Ministério da Agricultura de Foz do Iguaçu e as equipes de fiscalização da Secretaria da Seab se mobilizaram ontem para cumprir a portaria que suspendeu temporariamente a importação de animais e derivados do Paraguai. A restrição ocorreu em função da suspeita de focos de aftosa naquele país.
O Serviço de Vigilância (SVA) na fronteira fez retornar ao Paraguai 42 toneladas de carne bovina. Para o coordenador do SVA, Gil Bueno de Magalhães, a ação tem como objetivo impedir riscos de infecção no Paraná, considerado definitivamente livre da doença desde o início do ano. ‘‘A partir de hoje (ontem), nem mesmo os miúdos de boi serão liberados’’, disse Magalhães, enquanto observava as duas últimas remessas que ainda estavam no pátio da Estação Aduaneira do Interior (Eadi).
Foram devolvidas uma carga com 22 t de carne com osso resfriada e outra com 20 t de carne industrializada. De acordo com a portaria, animais vivos (bovinos, ovinos e caprinos), tanto para abate quanto para recria, também estão proibidos de cruzar a fronteira. ‘‘Mesmo que a carga não seja destinada ao nosso Estado, a simples passagem destes animais por aqui pode infectar nosso rebanho’’, explicou Magalhães.
Desde 5 de maio (data em que a importação foi novamente liberada) até anteontem, passaram pela fiscalização de Foz 8.240 animais vivos e 2,6 mil t de carne bovina.
Para o delegado da Agricultura, José Roberto Borghetti, a medida que suspende as importações foi acertada. ‘‘Os Estados e o governo federal investiram muito para conseguir o reconhecimento internacional de área livre de aftosa, com vacinação, e não poderiam correr o risco de perder esse trabalho’’, afirmou.
Oficialmente, o Paraguai não registra foco de aftosa desde 94 e já conseguiu o reconhecimento da Organização Internacional de Epizootias como área livre de aftosa, com vacinação. Há um ano, o país suspendeu a vacinação e tenta o reconhecimento de área livre sem vacinação, a exemplo do Uruguai e Argentina.
No Oeste do Paraná, porém, aumentou a procura de doses de vacinas contra aftosa por parte de pecuaristas paraguaios. A informação que chegou à Seab é que foram vendidas mais de 100 mil doses, o que acabou intrigando as autoridades, segundo chefe da Divisão Sanitária Animal (DSA), da Seab, Felisberto Baptista. ‘‘Se o país é considerado livre de febre aftosa por que os pecuaristas estão comprando a vacina?’’, indagou.
O presidente Sindicato da Indústria, Péricles Salazar, disse que a medida não deverá causar impacto no Paraná porque eram poucos os frigoríficos que estavam importando do Paraguai. O impacto maior será em São Paulo, onde o volume de importações era maior.

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