Na última quinta-feira, a agência de classificação de risco japonesa R&I elevou a nota do Brasil de BBB- para BBB. É a terceira vez que uma grande agência altera positivamente o chamado rating brasileiro. Em junho, a Moody's havia subido o Brasil de Baa3 para Baa2. Já a Fitch Ratings, assim como a R&I, elevou o conceito brasileiro de BBB- para BBB em abril.
O rating nada mais é que uma avaliação aprofundada sobre a capacidade de um país ou uma empresa saldar seus compromissos financeiros. E, apesar de criticadas por não terem previsto a bolha imobiliária dos Estados Unidos e a consequente crise de 2008, as agências continuam servindo de guia para os investidores no mundo todo.
Cada vez que uma delas muda uma letra ou sinal, a saída ou entrada de capitais em um determinado país é imediata. É o que garante Lucas
Negreiros, operador de Mercado Financeiro da TOV Corretora de Londrina. ''Basta ver como os mercados reagiram na quinta-feira'', afirma.
Ele explica que o impacto é imediato sobre os títulos do governo, mas que no médio prazo repercutem também nas ações das empresas. De acordo com o operador, o fator principal para a melhora do Brasil aos olhos da agência japonesa foi a precepção sobre o controle da inflação. ''No início do ano, o mercado estava muito receoso com a disparada dos preços no país. Mas as medidas tomadas pelo governo parecem ter surtido efeito'', declara.
A elevação da nota da R&I, segundo Negreiros, fez mais diferença porque foi divulgada num momento delicado para o cenário externo, com a queda do rating dos Estados Unidos. No dia 5 de agosto, a Standard&Poor's (S&P) baixou de AAA para AA+ a classificação norte-americana. ''Entre comprar título americano quando o rating de lá está caindo e apostar no Brasil, que paga mais juros, o investidor vai preferir colocar dinheiro aqui'', ressalta.
Para o professor universitário e economista Renato Pianowski, a melhora do Brasil nas avaliações das agências de riscos significa que o ''mundo está olhado para a gente''. Ele afirma, no entanto, que ainda não é caso para euforia, já que o Brasil enfrenta uma série de problemas históricos. ''Se o país não tivesse impostos tão altos e tanta corrupção, seria o paraíso'', declara.
O também economista e professor universitário Azenil Staviski ressalta que as empresas têm limitações para fazerem diagnósticos da economia em âmbito internacional. E aí entra o trabalho das agências. ''Apesar de não terem conseguido adiantar a crise de 2008, elas ainda gozam de bastante credibilidade junto aos investidores'', salienta.
Staviski diz que a elevação do rating é importante não só para trazer novos investimentos. ''Quando um país se mostra com maior credibilidade, ele também vai encontrar juros mais baixos em financiamentos'', explica. Apesar disso, o economista lembra que o Brasil precisa ganhar mais credibilidade. ''Ainda estamos longe do triplo A'', declara.

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