Brasil foi único país na AL com piora no otimismo
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Idiana Tomazelli<br>Agência Estado 
Rio - O Brasil foi o único da América Latina que inspirou menor otimismo sobre o clima econômico no trimestre até janeiro deste ano. Em todos os outros dez países pesquisados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com o instituto alemão Ifo, o indicador que monitora as tendências da economia melhoraram ou ficaram estáveis, como Argentina e Venezuela.
O Índice de Clima Econômico (ICE) do Brasil recuou 6,3%, para 89 pontos. "Ninguém piorou além do Brasil. Mas, mesmo havendo essa piora, a avaliação ainda é melhor do que em julho de 2013 (75 pontos)", destacou a coordenadora de projetos do Centro de Estudos do Comércio Exterior do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Lia Valls.
Segundo Lia, a piora é sentida tanto em relação ao consumo quanto ao investimento, na situação atual e no futuro. "Há perspectivas de crescimento econômico menor, desvalorização cambial, inflação maior. Isso contribui para uma avaliação não favorável do momento atual de consumo e investimento, e também das expectativas", disse Lia, acrescentando que o cenário macroeconômico brasileiro ainda tem um fator complicador para este ano: as eleições.
O Brasil ainda aparece como um dos mais vulneráveis e sujeitos a turbulências em função da normalização da política monetária dos Estados Unidos, o tapering. Como o País sustenta juros mais elevados do que outros lugares, a maior liquidez internacional financiou grande entrada de capital, além de ter ajudado a impulsionar os preços das commodities (que o Brasil exporta em grande volume), ressaltou Lia.
"Agora mudou o cenário totalmente com a perspectiva de aumento dos juros americanos. Temos ainda questões internas, como inflação, política fiscal. Isso configura um cenário menos favorável para o Brasil."
Para Lia, a fragilidade do Brasil e de outros países da América Latina se dá porque a taxa de poupança é muito pequena, e há deficit em conta corrente. "Ao contrário da Ásia, que tem a poupança maior, a América Latina fica numa situação mais vulnerável", afirmou Lia. Apesar disso, ela ressaltou que, quando a pesquisa foi realizada, não havia ocorrido a recente turbulência no mercado de câmbio - o que, ela não descarta, pode afetar a próxima sondagem.



