Brasil fecha fronteira com Argentina para evitar aftosa
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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2001
Gecy Belmonte Agência Estado 
O governo brasileiro decidiu fechar a fronteira com a Argentina a partir de hoje, para proteger o rebanho brasileiro contra a febre aftosa. Focos da doença foram registrados em várias províncias daquele País. Segundo anúncio feito pelo ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, só poderão entrar no Brasil carne sem osso e produtos derivados cozidos acima de 72 graus centígrados, como carne enlatada e salsicha.
Por determinação do governo, fica proibida a importação de animais vivos, material de reprodução (sêmen e embriões) e carne com osso.
Segundo o ministro, a proibição vigorará até que a Argentina obtenha a aprovação do Comitê Internacional de Epizootias (OIE), organização com sede em Paris e que delibera sobre o controle da doença em nível internacional. Tomamos essa decisão em comum acordo com a Argentina, para proteger o rebanho brasileiro, disse Pratini. Para nós é essencial assegurar a qualidade do produto ao consumidor e a aceitação da carne brasileira no mercado internacional. Hoje cedo, Pratini e o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, estiveram com o presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem fizeram um relato sobre as negociações com o Canadá, sobre a suspensão do embargo à carne bovina brasileira para Canadá, EUA e México. Segundo o ministro da Agricultura, o Brasil está fazendo enorme pressão para acelerar o fim da restrição. Esperamos que esse problema acabe muito em breve, enfatizou.
Pratini de Moraes anunciou o fechamento da fronteira após ter se reunido com o diretor do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa), Victor Machinea, e com o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério, Luiz Carlos de Oliveira. Além das informações apresentadas pelas autoridades argentinas, o governo brasileiro se baseou em relatório feito pelos técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária que passaram 10 dias (de 29 de janeiro a 8 deste mês) no País vizinho e comprovaram as suspeitas de focos da doença nas províncias de Corrientes, Entre Rios, Formosa e Buenos Aires, entre outras.
O ministro lembrou que desde agosto do ano passado o governo já havia proibido a importação de animais vivos e material de reprodução das províncias de Entre Rios, Formosa e Corrientes. Já naquela época, havia suspeita de focos de aftosa nessas regiões.
Segundo Pratini, a Argentina enviará um novo programa de controle da aftosa à OIE. Nesse plano - para não perder totalmente o status de livre da doença sem vacinação, obtido junto a organização em maio de 2000 - a Argentina proporá a regionalização do controle. Ou seja, pedirá que a OIE mantenha o reconhecimento de livre sem o uso de vacinas para as áreas onde não há a ocorrência do vírus e de livre com vacinação para as regiões onde existem os focos de aftosa.
O ministro enfatizou que a proibição para a importação de animais vivos suscetíveis à aftosa, de carne com osso e de material de reprodução não devem trazer prejuízos muito significativos ao país vizinho. O Brasil importa basicamente carne desossada e esta continua liberada, afirmou. No ano passado o Brasil importou US$ 42 milhões de carnes da Argentina, sendo que desse total US$ 31 milhões se referem a carne sem osso.


