Brasil fecha estudo da Alca em um ano
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segunda-feira, 23 de abril de 2001
Agência Estado De São Paulo 
Os estudos que avaliarão o grau de preparo dos diversos setores da economia brasileira para participar da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) têm de estar prontos até abril do ano que vem, informou o embaixador José Alfredo Graça Lima, do Departamento Econômico e de Relações Econômicas Internacionais do Itamaraty. Em Quebec, onde aconteceu a 3ª Cúpula das Américas, Graça Lima explicou que o processo de negociação da Alca entra em uma nova fase a partir de hoje. Com a ratificação, pelos 34 chefes de Estado reunidos na cúpula, do documento acertado na Reunião Ministerial de Buenos Aires, no início do mês, os negociadores brasileiros têm, até abril de 2002, a missão de eliminar os colchetes (temas ainda sem consenso) do esboço do que será o acordo final da Alca.
Nesse período de 12 meses, os negociadores se concentrarão nas definições de métodos e modalidades para o trabalho futuro, como, por exemplo, a tarifa-base a partir da qual começará a redução tarifária. Em 15 de maio do ano que vem, começam efetivamente as negociações para determinar prazos de redução tarifária para produtos que farão parte da área de livre comércio pelo menos 85% de todo o comércio do hemisfério. Para se sair bem nas negociações de redução tarifária, o governo brasileiro precisa, pelo menos, saber exatamente quais as necessidades e os interesses de cada setor da economia brasileira.
O governo já tem conhecimento, por meio da Coalizão Empresarial Brasileira, que dez anos é um prazo aceitável pelo setor privado para a redução tarifária. Há indústrias, porém, que já estão prontas para zerar as tarifas de importação no momento em que a Alca entrar em vigor. Esse é o caso dos têxteis, cuja exportação aos Estados Unidos é limitada pela imposição de cotas; do setor siderúrgico, que sofre ações antidumping dos americanos; e os produtores de suco de laranja, atualmente sobretaxados para entrar nos EUA.
Os parlamentares brasileiros, que terão a responsabilidade de homologar os acordos da Alca em 2005, conforme determina o cronograma ratificado no domingo na Cúpula das Américas, em Quebec, não querem depender de estudos do setor privado para saber o impacto do acordo comercial sobre a economia brasileira. O deputado federal Antonio Kandir (PSDB-SP), um dos quatro parlamentares convidados para fazer parte da comitiva brasileira que esteve em Quebec, disse que já está sendo avaliada pela Câmara a alocação de recursos do orçamento para a realização de estudos setoriais.


