Os estudos que avaliarão o grau de preparo dos diversos setores da economia brasileira para participar da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) têm de estar prontos até abril do ano que vem, informou o embaixador José Alfredo Graça Lima, do Departamento Econômico e de Relações Econômicas Internacionais do Itamaraty. Em Quebec, onde aconteceu a 3ª Cúpula das Américas, Graça Lima explicou que o processo de negociação da Alca entra em uma nova fase a partir de hoje. Com a ratificação, pelos 34 chefes de Estado reunidos na cúpula, do documento acertado na Reunião Ministerial de Buenos Aires, no início do mês, os negociadores brasileiros têm, até abril de 2002, a missão de eliminar os colchetes (temas ainda sem consenso) do esboço do que será o acordo final da Alca.
Nesse período de 12 meses, os negociadores se concentrarão nas definições de métodos e modalidades para o trabalho futuro, como, por exemplo, a tarifa-base a partir da qual começará a redução tarifária. Em 15 de maio do ano que vem, começam efetivamente as negociações para determinar prazos de redução tarifária para produtos que farão parte da área de livre comércio – pelo menos 85% de todo o comércio do hemisfério. Para se sair bem nas negociações de redução tarifária, o governo brasileiro precisa, pelo menos, saber exatamente quais as necessidades e os interesses de cada setor da economia brasileira.
O governo já tem conhecimento, por meio da Coalizão Empresarial Brasileira, que dez anos é um prazo aceitável pelo setor privado para a redução tarifária. Há indústrias, porém, que já estão prontas para zerar as tarifas de importação no momento em que a Alca entrar em vigor. Esse é o caso dos têxteis, cuja exportação aos Estados Unidos é limitada pela imposição de cotas; do setor siderúrgico, que sofre ações antidumping dos americanos; e os produtores de suco de laranja, atualmente sobretaxados para entrar nos EUA.
Os parlamentares brasileiros, que terão a responsabilidade de homologar os acordos da Alca em 2005, conforme determina o cronograma ratificado no domingo na Cúpula das Américas, em Quebec, não querem depender de estudos do setor privado para saber o impacto do acordo comercial sobre a economia brasileira. O deputado federal Antonio Kandir (PSDB-SP), um dos quatro parlamentares convidados para fazer parte da comitiva brasileira que esteve em Quebec, disse que já está sendo avaliada pela Câmara a alocação de recursos do orçamento para a realização de estudos setoriais.

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