O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,9% em 2012 sobre 2011, ao atingir R$ 4,403 trilhões, segundo divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número ficou bem abaixo dos 4,5% esperados pelo governo federal antes do início do ano passado, expectativa que sofreu sucessivas reduções até chegar ao "pibinho", conforme definição dada anteriormente pela presidente Dilma Rousseff.
O fraco desempenho foi puxado pelas baixas na produção da indústria, que teve queda de 0,8%, e da agropecuária, com redução de 2,3%. O setor de serviços teve alta de 1,7% e manteve o resultado da soma de todos os bens produzidos no País no azul. Isso porque o setor representou 68% do PIB em 2012, enquanto a indústria ficou com 26% e o segmento primário, com 6%.
Para a queda da agropecuária, a explicação passa pelos efeitos climáticos que derrubaram as culturas de arroz (-15,4%), soja (-12,3%), cana-de-açúcar (-5,6%) e laranja (-4,3%), principalmente. Na indústria, envolve a falta de competitividade do setor para exportar frente à concorrência externa, além do aumento da demanda do brasileiro por produtos importados. "Temos mais burocracia, maior carga tributária e nossa infraestrutura não acompanha a necessidade do setor produtivo. O empresário brasileiro usa botas de chumbo para participar de uma corrida", diz o economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
O diretor-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Lourenço, também diz que o governo precisa criar formas de o setor nacional reagir. "O resultado foi fruto dos efeitos do enfraquecimento do comércio internacional e da resposta do mercado doméstico aos estímulos de política econômica do governo federal, restrita à desova de estoques de alguns bens de consumo duráveis, como automóveis e eletrodomésticos, sem interferir positivamente nos patamares de produção", diz, em nota.
Ministro da Fazenda, Guido Mantega admitiu ontem que o crescimento brasileiro foi fraco e abaixo das expectativas, mas lembrou que houve aceleração econômica ao longo do ano. No primeiro trimestre, o aumento foi de 0,1%, com 0,3% no segundo, 0,4% no terceiro e 0,6% no quarto. "Para 2013, o cenário internacional é mais benigno, a crise europeia está em parte superada, do ponto de vista financeiro. A economia mundial deve crescer mais e teremos mais mercados para exportar", afirmou, ao estipular valor acima de 3%.

Consumo e produção
Ao falar sobre serviços, é preciso falar da demanda. O consumo das famílias e do governo foram os motores do crescimento, com aumentos de 3,1% e de 3,2%, respectivamente. As compras feitas pela população em geral foram motivadas pela maior oferta e facilidade de crédito, que elevou o comércio. No entanto, Zurcher lembra que houve queda de 4% na formação bruta de capital fixo, que representa os investimentos em máquinas, equipamentos e construção civil, que garantem que o País tenha condição de produzir bens para o consumo interno. "Se não faz investimentos, dificilmente vai crescer de forma adequada nos próximos anos."
Mantega disse que a redução em investimentos é reflexo de alguns setores específicos, o que deve se reverter. "O que mostra esse baixo investimento, essa baixa formação bruta de capital fixo, é a baixa venda de caminhões em 2012. A construção civil cresceu, mas houve a venda baixa de caminhões", afirmou. Ele se referiu à queda nas vendas de veículos pesados pela transição do modelo Euro 3 para o Euro 5, menos poluente, mas mais caro.
O presidente da Fiep, Edson Campagnolo, lembrou ontem, em nota, que o governo federal adotou medidas de incentivo ao setor produtivo, especialmente à indústria. "Algumas, como a desoneração da folha de pagamentos para vários setores, só devem apresentar resultados a partir deste ano." (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Brasil fecha 2012 com 'pibinho'



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