Brasil favorece importação do Mercosul
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quarta-feira, 02 de abril de 1997
Agência Folha de Brasília 
Ed FerreiraAcordo de vizinhosOs ministros de Economia do Brasil e Argentina, Malan e Fernández, ontem: medida para anular prejuízosOs governos do Brasil e da Argentina fecharam ontem acordo que exclui por 120 dias os produtos provenientes dos países do Mercosul (Mercado Comum do Sul) das medidas brasileiras de restrição ao crédito de importações. O acordo foi fechado ontem entre os ministros Pedro Malan (Fazenda) e o argentino Roque Fernández (Economia), depois de duas horas e meia de negociações. Não inclui Chile e Bolívia, parceiros do Mercosul. A exceção ao Mercosul é marcada por duas decisões. A primeira permite que o contrato de câmbio (pagamento à vista) das importações ocorra ao final de dois meses, contados a partir do dia do desembaraço da mercadoria na aduana.
Isso será possível apenas para as importações que estejam amparadas pelo Convênio de Crédito Recíproco, ou seja, que contem com a garantia de seu respectivo banco central. Essa medida, na prática, estende o prazo de pagamento dessas importação do Mercosul entre 60 e 89 dias. Conforme as regras da circular 2.747 do Banco Central e da MP (medida provisória) 1.569, o pagamento teria que ser feito em um mês - ou até 29 dias - depois do desembaraço aduaneiro. A outra decisão foi a de excluir das regras anteriores as importações menores que US$ 40 mil - o valor médio de um contêiner carregado do mercado internacional.
O texto original - válido agora para os países que não compõem o Mercosul - prevê a exceção para as importações de petróleo, de drawback (insumos usados na fabricação de produtos para exportação) e para as compras externas abaixo de US$ 10 mil. Também já estavam excluídas as importações com prazo de financiamento maior que 360 dias.
A medida anterior não traria prejuízos para os grandes produtores de cereais, que contam com crédito superior a 360 dias, afirmou Fernández. Mas poderia ter impacto nas produções regionais. Segundo Fernández, as exceções abertas ao Mercosul deverão anular esses prejuízos.
Malan negou ontem que as medidas de restrição à importação tenham sido tomadas com o objetivo de conter as compras externas e, assim, reverter os sucessivos déficits na balança comercial. Não temos problema com o crescimento das importações, que são na sua maior parte de bens de capital, produtos de consumo duráveis e petróleo, disse o ministro.
Temos problema é com o crescimento daquela importação que é estimulado pelo diferencial de arbitragem de taxas de juros. Ele se referiu à prática que foi abortada pela circular: os importadores conseguiam o crédito, mas aplicavam o dinheiro no mercado financeiro nacional (que tem altas taxas de juros). Até o prazo do pagamento, obtinham retorno maior que o valor das importações. Até a adoção da medida, o governo dizia não haver motivos para preocupação com as importações, sem ressalvas.


