Brasil fará marketing da carne bovina no exterior
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 06 de abril de 2001
Oswaldo Petrin De Londrina 
O Brasil vai intensificar as ações preventivas contra aftosa e aproveitar o momento favorável para investir em campanhas de marketing da carne bovina, ampliando seu espaço no mercado internacional. Temos bom produto, competência para produzir com qualidade, mas precisamos saber negociar este produto. Já existe uma série de ações em andamento.
A informação foi dada ontem, em Londrina, pelo secretário Nacional de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira. Ele participou da assembléia que instalou o Instituto Genesis, entidade da iniciativa privada que tratará da certificação de origem de produtos animais e vegetais.
Oliveira considerou uma etapa vencida o episódio da vaca louca (encefalopatia espongiforme bovina), e avaliou como positiva a guerra comercial com o Canadá.
Na entrevista à imprensa, na Sociedade Rural do Paraná, Oliveira explicou que o governo pretende conduzir as discussões sobre rastreabilidade - acompanhamento e identidade do produto desde a sua origem - de forma ordenada pois está havendo dúvida com relação ao conceito e função prática desse instrumento. Há uma mistura de conceitos, e isso torna as discussões meio difusas. A Secretaria de Defesa Agropecuária quer chegar a um grau de rastreabilidade em que a identidade da mercadoria será feita por indivíduo e não apenas por propriedade.
O que o Brasil está fazendo hoje em termos de rastreabilidade corresponde às exigências do mercado externo, mas nós queremos muito mais, disse Oliveira, para quem é possível apresentar a origem e toda trajetória do produto de forma mais detalhada.
Um dos pontos que a campanha de marketing internacional que o governo começa a negociar ainda este mês, coloca o sistema de vigilância sanitária do Brasil como o mais completo, lastreado no fato de que a comida do gado é vegetal - principal barreira às encefalopatias.
Oliveira reafirmou a posição do governo federal que é contra a volta da vacinação no Rio Grande do Sul e depois de explicar os motivos técnicos, observou que seria um retrocesso aplicar a vacina numa região que já conquistou o certificado de livre da aftosa sem vacinação. Seria admitir a fragilidade sanitária, um retrocesso.
Na assembléia de instalação do Instituto Genesis falaram o presidente da Sociedade Rural, Francisco Galli; o diretor do Genesis, Henrique Victorelli Neto, sobre os objetivos do Instituto, e o técnico alemão Michael Jncker, sobre oportunidades do mercado.


