O Brasil exporta 80% dos alimentos orgânicos que produz. Desenvolver a comercialização de produtos livres de agrotóxicos e adubos químicos no mercado interno brasileiro e em outros países da América do Sul foi o objetivo da primeira Conferência BioFach no País. O evento terminou ontem, no Rio de Janeiro.
Reconhecida como a mais importante feira internacional de orgânicos, a BioFach realiza-se em Nuremberg, na Alemanha, desde 1999. A edição brasileira contou com palestras e painéis sobre a visão mundial do marketing orgânico, certificação dos produtos orgânicos e perspectivas e dificuldades do mercado brasileiro. Outra atração foi uma mostra com participação de 38 empresas que já atuam no mercado.
Segundo Álvaro Werneck, gerente de negócios do Planeta Orgânico (empresa organizadora da conferência), no ano que vem o Rio sediará uma feira nos mesmos moldes que o evento alemão. Ele informou que a comercialização de produtos orgânicos, no Brasil, cresce 40% ao ano e, em 2003, deve movimentar R$ 250 milhões.
A maior parte da produção é exportada. ''O consumidor interno é desinformado e o preço dos alimentos é alto para o poder aquisitivo da população'', comentou. Apesar da solução passar pela melhora dos rendimentos dos brasileiros, uma iniciativa que pode contribuir para o crescimento do consumo é a redução de custos de produção e, consequentemente, do preço no varejo.
A formação de cooperativas e associações de produtores é uma alternativa para reduzir as despesas. ''A cooperativa oferece logística e canais de comercialização'', disse. Paralelamente à conferência, realizou-se a Rodada de Negócios Biolatina, com participação de empresas brasileiras e estrangeiras.
Um dos expositores da mostra da Biofach, no estande do Sebrae, foi o ator Marcos Palmeiras. Produtor orgânico em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, ele defendeu a difusão da produção de alimentos sem agrotóxicos para ajudar a combater a fome no País, segundo informações da Agência Sebrae de Notícias. O ator mostrou produtos de sua Fazenda Vale das Palmeiras, como frutas, hortaliças, laticínios, ervas e temperos aromáticos.
Para Palmeira, o Brasil ainda está longe de se tornar um grande exportador de produtos orgânicos. ''Falar em exportação de orgânicos num país em que tem gente passando fome é uma incoerência'', destacou.
O ator e produtor também criticou os preços praticados no mercado de orgânicos. Fornecedor de grandes supermercados e restaurantes do Rio, ele disse que os produtos orgânicos geralmente são vendidos pelo mesmo preço dos produtos convencionais, mas acabam chegando à mesa do consumidor 150% mais caros.

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