Brasília – O ministro do Desenvolvimento, Sergio Amaral, disse ontem que o governo pode adotar medidas para proteger o setor siderúrgico se houver um grande aumento da importação de aço.
A indústria siderúrgica nacional teme que o crescimento do protecionismo mundial do aço gere um excedente do produto que poderia inundar o mercado brasileiro, prejudicando a indústria local.
Segundo o ministro, entre as alternativas que serão examinadas estão a criação de salvaguardas, medidas antidumping e o aumento da alíquota do II (Imposto de Importação) – essa última foi pedida pelos empresários.
Amaral disse que a adoção de medidas poderá ser decidida hoje na reunião da Camex (Câmara de Comércio Exterior). Segundo o ministro, o governo ‘‘está decidido a apoiar o setor siderúrgico nacional’’.
Amaral recebeu ontem representantes do setor siderúrgico nacional para tratar do aumento do protecionismo mundial do aço. Entre os representantes, estava a presidente do IBS e da CSN, Maria Sílvia Bastos Marques.
Amaral disse que o governo poderá recorrer à OMC (Organização Mundial do Comércio) se as negociações com os EUA, primeiro país a adotar medidas de restrição à importação de aço, não surtirem efeito. Uma das tentativas é convencer os EUA a aumentar a cota de exportação de aço da indústria brasileira, fixada em 2,5 milhões de toneladas de placas de aço semi-acabadas.
Apesar de a cota estar acima dos 2,1 milhões de toneladas vendidas para os americanos no ano passado, o governo brasileiro avalia que poderia exportar até 3,5 milhões de toneladas para os EUA.
Essa estimativa leva em conta o fato de a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) ter se associado a empresas americanas para aumentar suas vendas no País. ‘‘Primeiro vamos pedir consultas no âmbito das salvaguardas (negociações diretas com os países). Depois, veremos se convém ou não recorrer aos mecanismos de consulta da OMC’’, disse.
Segundo Maria Sílvia, os EUA têm até o dia 15 do mês que vem para decidir se altera ou não as medidas de salvaguardas que adotou para proteger sua indústria siderúrgica. Depois desse prazo, o Brasil terá mais 120 dias para tentar negociar condições melhores para as exportações de aço.

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