Brasil estuda acordo comercial com os EUA
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Jamil Chade<br> Agência Estado 
São Paulo - O governo brasileiro quer fechar em 2010 um acordo de cooperação econômica e comercial com a administração de Barack Obama, disse ontem o chanceler Celso Amorim, em Genebra, às vésperas da reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), que começa hoje esvaziada e em pela crise. Apesar da aproximação, o chanceler criticou a ''ganância'' dos Estados Unidos na negociação da Rodada Doha e defendeu, ao lado dos países emergentes, uma nova reunião negociadora para março.
Amorim alertou que o fracasso seria um obstáculo até para o acordo climático, que se negocia em duas semanas, e pela primeira vez ainda falou na possibilidade de incluir temas sociais nos acordos da OMC, algo que era firmemente rejeitado pelo Brasil no passado.
Já o representante de Comércio da Casa Branca, Ron Kirk, insistiu que o Brasil terá de abrir seu mercado para que um acordo seja concluído na OMC. Amorim e Kirk se reuniram hoje em Genebra e o chanceler brasileiro deixou claro que não há qualquer previsão de que o acordo signifique uma redução de tarifas de comércio entre os dois países. Nesse ponto, a agenda bilateral está emperrada.
Na pauta do acordo estariam temas como a promoção de investimentos, facilitação de comércio entre os dois países, acordos de cooperação na área tecnológica entre empresas, propriedade intelectual, um entendimento no campo do etanol e área fitossanitária, inclusive para desbloquear as exportações de carne bovina do país para os Estados Unidos.
Amorim não descarta ainda incluir no acordo um tratado para evitar a bitributação. ''Achamos que o acordo pode sair em 2010'', disse o chanceler, após a reunião do Kirk. ''Eles tem muito interesse em estruturar a relação com o Brasil e nós também queremos'', afirmou. O acordo já foi tratado em setembro entre os dois países. Mas agora começará a ganhar forma em dezembro.
O último acordo envolvendo Brasil e Estados Unidos é ainda do início dos anos 90. Amorim espera que o novo acordo ajude a aumentar a relação comercial. Mas indica que as exportações brasileiras para os Estados Unidos aumentaram em 2008 acima da taxa de países que já tinham acordo com os americanos. Durante os primeiros anos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o governo americano acusou Brasília de ter enterrado o projeto de criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).


