Brasília - A crise na economia americana ''é séria'' e aumentou muito a possibilidade de uma recessão nos Estados Unidos, na avaliação do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Em uma análise didática, sem conotação otimista ou catastrófica, Meirelles mostrou, em entrevista antes de embarcar para Davos, na Suíça, as diversas nuances da crise do subprime, que nas últimas semanas arrastou bancos estrangeiros para a zona dos prejuízos e obrigou o Fed (o banco central americano) a reduzir a taxa básica de juros em 0,75 pontos básicos. Para ele, ainda não está claro se os Estados Unidos estão em recessão ou se vão entrar nela. ''Mas existe essa possibilidade, de fato, de uma recessão americana mais séria, digamos assim.''
Se ela vier a ocorrer, Meirelles disse que ainda não existe clareza sobre sua duração ou profundidade. O presidente do BC só tem certeza sobre como se dará o fim do processo dessa crise. ''Só quando estabilizar o preço dos imóveis americanos e, em consequência, estabilizar o valor dos papéis que os bancos têm em carteira referente a crédito imobiliário. Só a partir daí se terá segurança de uma precificação desses papéis e, em consequência, se terá segurança de qual é o tamanho das despesas dos bancos.''
Ao contrário dos momentos de crises financeiras vividas pelos governos passados - de Collor de Mello a Fernando Henrique Cardoso -, o Brasil de hoje está ''bem preparado'' para enfrentar turbulências externas. ''O País tem não só US$ 185 bilhões de reservas cambiais, de longe as maiores da nossa história, mas também o câmbio flutuante.'' Segundo ele, a política cambial funciona como ''um absorvedor de choques ou corretor de desequilíbrio de preços relativos''.
Além disso, Meirelles chamou a atenção para o fato de que a inflação está na meta e garantiu que o Banco Central continuará perseguindo a meta. ''A existência de confiança na estabilidade da moeda é um fator muito importante'', disse. ''O Banco Central está comprometido em entregar a inflação na meta.'' Meirelles destacou ainda a redução da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e garantiu que é compromisso do governo ''continuar produzindo o superávit primário''.
O presidente do BC admitiu que a economia brasileira poderá ser afetada por uma eventual recessão americana. Segundo ele, o País nunca esteve tão preparado para crises. Mas afirmou que sua projeção de crescimento da economia brasileira este ano já incorporou ''uma desaceleração importante da economia americana''.

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