A economia brasileira está em um momento de transição. Isso significa que os efeitos dos ajustes que estão sendo feitos atualmente mas que ainda não estão concluídos (como a redução da taxa Selic e a manutenção dos baixos índices de inflação) deverão surtir efeitos positivos na economia a partir do segundo semestre do próximo ano. Essa é a avaliação do economista-sênior do Banco Bradesco (o maior banco privado do País), Fernando Honorato Barbosa que abriu, ontem, a 17 Semana de Economia de Londrina. Ele ministrou palestra sobre o cenário econômico de 2006 e 2007.
Ele ressaltou que a sua avaliação é positiva e que é uma análise de economista e não do banco. Barbosa afirmou que 2006 é um ano de transição, mas que 2007 será melhor. ''Haverá um crescimento mais forte (a projeção é que o índice chegue a 3,6%, contra os 3,4% que deverão ser alcançados em 2006) e a taxa Selic deverá estar em 12% (atualmente está em 14,25%)'', afirmou. O cenário que os economistas têm trabalhado é com uma inflação de 3,1% neste ano, contra 3,9% em 2007 (os índices estão abaixo da meta do Banco Central, que trabalha com um porcentual superior aos 4%). O dólar deverá fechar este ano cotado a R$ 2,10 e, em 2007, deverá ter uma leve alta para R$ 2,20.
Embora todas as conjunturas indiquem o contrário, o economista também aposta em um cenário positivo para o setor industrial. Na sua avaliação, as indústrias deverão ganhar produtividade (medida necessária para continuar competindo com os importados), mas também serão beneficiadas pela queda de juros, uma vez que o custo para a tomada de crédito também irá cair. Com isso, a tendência é de um aumento na geração de empregos, o que aumentaria o consumo doméstico. ''A massa salarial teve crescimento real de 5,5% a 6% e a taxa Selic a 12% será uma das menores taxas reais que já tivemos com a inflação em condições normais'', comentou.
Ajustes - Segundo Barbosa, desde 1999 - e mais fortemente há 3 anos - estão sendo feitos ajustes externos que têm contribuído para o crescimento do nível de confiança no Brasil. ''Temos um superávit comercial de US$ 45 bilhões, enquanto há 7 anos tínhamos um déficit de US$ 7 bilhões, US$ 8 bilhões e, além disso, o País reduziu fortemente o valor da sua dívida externa'', comentou. Com isso, ele acrescentou que os agentes estrangeiros e domésticos passaram a ser sentir mais seguros para investir no País devido à ''boa condução'' da política econômica.
Outro efeito foi a queda do risco-País. ''Esse índice reduziu o custo de captação de recursos, o que também é um incentivo para investimentos. A taxa de câmbio - que caiu de US$ 3,50 para US$ 2,20 - manteve a inflação baixa. Os preços não foram reajustados porque ficou barato importar'', disse o economista. No entanto, ele lembrou que há ''disparidades regionais'' de crescimento, uma vez que as regiões Norte e Nordeste estão apresentando ritmo mais acelerado que as regiões Sul e Sudeste, por exemplo.

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