Rio de Janeiro - A Economist Intelligence Unit (EIU), centro de pesquisas da revista britânica ''The Economist'', divulgou ontem estudo inédito sobre o Brasil, patrocinado por um banco privado, afirmando que o País ''está na moda'' e no caminho para um crescimento sustentado da economia acima de 5% ao ano. Na onda do otimismo em relação ao País, a revista cita a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas em 2016 e projeta crescimento de 7,8% para 2010, acima dos 7,3% previstos pelo Banco Central (BC).
Mas a pesquisa, feita com 535 executivos de grandes empresas e de diferentes países, argumenta que o País só conseguirá manter o nível elevado de crescimento no longo prazo caso vença quatro desafios básicos. Além de investimentos em infraestrutura e educação, gargalos bastante debatidos internamente, a Economist também aponta a inovação e o reconhecimento internacional como cruciais neste processo.
''A pesquisa confirma carências muito conhecidas no Brasil e muito claras aos olhos dos que podem ajudar a investir mais'', diz o economista-chefe do banco no Brasil, André Loes. ''Os desafios na educação são óbvios, e na infraestrutura nem se fala. Mas me chamou a atenção os desafios em inovação e imagem de marca.''
De acordo com o relatório de 27 páginas intitulado ''Como investidores vêem o Brasil e como o Brasil vê o mundo'', 84% dos entrevistados afirmaram que marcas brasileiras não são muito reconhecidas ou muito consideradas em outros países. Apenas 3% dos entrevistados americanos acreditam que as marcas brasileiras são altamente reconhecidas e consideradas.
Apesar dos avanços nas chamadas ''tecnologias verdes'', o investimento em inovação é apontado como relativamente baixo e insuficiente. E mesmo os pequenos investimentos de hoje poderiam produzir resultados significativamente melhores, segundo o estudo. ''Os brasileiros são vistos como muito bons em relação à sua capacidade de adaptar experiências internacionais, mas como profissionais que pouco produzem inovação'', diz Loes.
Cerca de 57% dos entrevistados brasileiros não têm um programa de pesquisa e desenvolvimento ou sequer planos para criar um em breve no País. Enquanto isso, metade (49%) dos entrevistados descreve como ''muito boa'' ou ''excelente'' a capacidade dos negócios baseados no Brasil de se integrarem com as últimas tecnologias internacionais.
O gargalo em infraestrutura - com destaque para portos, estradas, ferrovias e aeroportos - aparece como o primeiro item da lista de desafios para os investidores, segundo a EIU. Quase metade dos entrevistados (49%) reclama de ''padrões de baixa qualidade ou custos elevados de infraestrutura''.
O tom geral do estudo, no entanto, é de otimismo. Os analistas da Economist listam o que consideram ser conquistas importantes, como privatizações bem-sucedidas, uma moeda estável desde 1994, um aumento da demanda global pelas abundantes reservas de commodities e a significativa expansão de comércio bilateral com a China, que aumentou mais de 50% desde 2007. ''O Brasil está na moda. Sediar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 parecem ser um arremate final para as importantes mudanças econômicas testemunhadas nas últimas duas décadas'', diz o texto.

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