Brasília - Num dia de muita expectativa e nervosismo no mercado financeiro, em razão da decisão sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos, o chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), Phil Gerson, manifestou ontem confiança na capacidade da economia brasileira de enfrentar choques externos. Ele afirmou que o Brasil está numa posição forte para responder a qualquer choque que abale a economia internacional e pediu serenidade e calma do mercado financeiro ao olhar a economia do País. Gerson também disse que é cedo para definição do projeto-piloto para a exclusão dos investimentos em infra-estrutura do cálculo do superávit primário.
''O Brasil agora é um País muito mais forte e mais resistente a qualquer choque externo que possa ocorrer. Devemos manter a calma e ter um pouco de serenidade para ver as coisas como realmente são'', afirmou. ''A situação da economia é muito boa e não devemos perder a cabeça'', recomendou ele, depois de uma primeira reunião de trabalho com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. A missão está no Brasil fazendo a segunda revisão do acordo firmado com o Brasil.
Ao contrário da tradição do Fundo de fazer poucos e genéricos comentários sobre as reuniões com o governo, foi o próprio representante do FMI que tomou a iniciativa de falar sobre o cenário externo. Quando jornalistas perguntaram se o Fundo tinha alguma receita para a redução do spread cobrado nas operações bancárias, Gerson preferiu falar sobre a evolução das contas públicas nos últimos três anos que, segundo ele, permitiu ao Brasil ter agora essa posição mais forte: ''Há três anos, o Brasil tinha um déficit em conta corrente de 4% do PIB e agora tem superávit. A estrutura da dívida pública era muito pior do que agora. O Brasil fazia um superávit primário de 3% do PIB e agora faz um superávit de 4,25% do PIB. Essas coisas querem dizer que o Brasil é mais resistente''. Ele considerou ''muito boa'' a estratégia do Banco Central de recomposição das reservas internacionais.
Segundo ele, o governo brasileiro tem conseguido melhorar a estrutura da dívida pública do País. ''O Brasil tem melhorado muito a estrutura da dívida com a redução da parcela atrelada ao câmbio e está progredindo e o País tem agora uma agenda de reformas estruturais muito importantes para promover o crescimento econômico neste ano e nos próximos'', afirmou.
O chefe da missão chegou depois a afirmar que a redução do spread não era um tema ''muito importante'' de política macroeconômica e que não havia sido discutida durante a reunião do encontro. Pouco antes da reunião, o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, havia informado justamente o contrário: que o Ministério da Fazenda iria discutir com o FMI medidas para estimular a concorrência bancária, que faziam parte da agenda de trabalho do governo e são importantes para a redução do spread bancário. Mais tarde, a assessoria do FMI tentou corrigir a informação, e disse que a resposta de Gerson referia-se ao spread do risco País e não sobre o trabalho de redução dos spreads bancários.

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