São Paulo - A crise financeira global – instalada no mundo há quase dois meses – vai afetar o Brasil. Para diretores do banco espanhol Santander é inegável que as maiores economias mundiais entrarão em recessão. A boa notícia é que, na opinião deles, o Brasil está mais preparado atualmente para enfrentar a crise do que há dez anos. ‘‘As perspectivas econômicas para o Brasil são boas. O Brasil tem uma gestão econômica, fiscal e monetária disciplinada e com melhorias na condição de comércio’’, afirmou Fábio Barbosa, responsável pelo Grupo Santander Brasil.
  Segundo Emilio Botin, presidente mundial do Santander, o Brasil é privilegiado porque as projeções de crescimento da economia indicam uma taxa de 3,5% em 2009 e de mais um ponto porcentual em 2010. ‘‘É um crescimento sustentável, um bom índice principalmente quando considerado este cenário de crise’’, avaliou. Botin esteve em São Paulo ontem para entrevista coletiva que lançou o plano estratégico do grupo para o Brasil.
  Ele disse que os planos de ajuda dos governos – dos Estados Unidos e da Zona do Euro – às instituições financeiras começarão a apresentar algum resultado sobre os mercado financeiros que, por enquanto, estão muitos voláteis. Aliado a estes planos de socorro ele prevê uma melhora da inflação mundial que, juntos, vão permitir a redução das taxas de juros. ‘‘A partir deste momento as expectativas deixarão de ser tão pessimistas’’, comentou. No entanto, para Botin, o sistema financeiro mundial sairá fortalecido desta crise. ‘‘Foram cometidos muitos ‘excessos’. Muitos bancos não se comportaram bem e, agora, precisamos de solucionar os problemas em nível mundial’’, disse. Segundo ele, o Brasil tem um bom exemplo de sistema financeiro sendo, inclusive, bastante parecido com o espanhol com maior análise de risco e mais critérios de concessão de crédito.
  O Santander não vai precisar da ajuda dos governos federais nos 40 países onde atua, nas Américas e na Europa. ‘‘Somos muito prudentes em riscos, um diferencial do mercado. O foco dos nossos negócios são os bancos de varejo tradicionais e não somos influenciados por modismos’’, observou Botin. Segundo ele, o banco não investiu em ‘‘papéis tóxicos’’ e, portanto, não foram expostos à dívida subprime. ‘‘Estamos enfrentando a crise financeira com maiores garantias que nossos concorrentes’’, salientou. A instituição tem equilíbrio entre mercados maduros e emergentes com alta liquidez porque concentra uma forte base de depósitos do negócio de varejo, principal obtenção de recursos.
  Até setembro deste ano, o Santander tinha 1,07 bilhão de euros em ativos geridos de mais de 65 milhões de clientes, atendidos por meio de 11.685 pontos de venda, o maior número de agências entre os bancos internacionais. Nos primeiros 9 meses deste ano a instituição obteve um lucro líquido atribuído de 6,9 bilhões de euros, um aumento de 16% em comparação ao mesmo período de 2007, sem incluir os extraordinários. Na América Latina (excluindo o Banco Real) o Santander é responsável pela gestão de um volume de negócios superior a US$ 200 bilhões (incluindo créditos, depósitos, fundos e patrimônios administrados) por meio de 4.638 agências.
A jornalista viajou a convite do Grupo Santander Brasil

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