Brasil está mais preparado para a crise
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sábado, 01 de novembro de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
São Paulo - A crise financeira global instalada no mundo há quase dois meses vai afetar o Brasil. Para diretores do banco espanhol Santander é inegável que as maiores economias mundiais entrarão em recessão. A boa notícia é que, na opinião deles, o Brasil está mais preparado atualmente para enfrentar a crise do que há dez anos. As perspectivas econômicas para o Brasil são boas. O Brasil tem uma gestão econômica, fiscal e monetária disciplinada e com melhorias na condição de comércio, afirmou Fábio Barbosa, responsável pelo Grupo Santander Brasil.
Segundo Emilio Botin, presidente mundial do Santander, o Brasil é privilegiado porque as projeções de crescimento da economia indicam uma taxa de 3,5% em 2009 e de mais um ponto porcentual em 2010. É um crescimento sustentável, um bom índice principalmente quando considerado este cenário de crise, avaliou. Botin esteve em São Paulo ontem para entrevista coletiva que lançou o plano estratégico do grupo para o Brasil.
Ele disse que os planos de ajuda dos governos dos Estados Unidos e da Zona do Euro às instituições financeiras começarão a apresentar algum resultado sobre os mercado financeiros que, por enquanto, estão muitos voláteis. Aliado a estes planos de socorro ele prevê uma melhora da inflação mundial que, juntos, vão permitir a redução das taxas de juros. A partir deste momento as expectativas deixarão de ser tão pessimistas, comentou. No entanto, para Botin, o sistema financeiro mundial sairá fortalecido desta crise. Foram cometidos muitos excessos. Muitos bancos não se comportaram bem e, agora, precisamos de solucionar os problemas em nível mundial, disse. Segundo ele, o Brasil tem um bom exemplo de sistema financeiro sendo, inclusive, bastante parecido com o espanhol com maior análise de risco e mais critérios de concessão de crédito.
O Santander não vai precisar da ajuda dos governos federais nos 40 países onde atua, nas Américas e na Europa. Somos muito prudentes em riscos, um diferencial do mercado. O foco dos nossos negócios são os bancos de varejo tradicionais e não somos influenciados por modismos, observou Botin. Segundo ele, o banco não investiu em papéis tóxicos e, portanto, não foram expostos à dívida subprime. Estamos enfrentando a crise financeira com maiores garantias que nossos concorrentes, salientou. A instituição tem equilíbrio entre mercados maduros e emergentes com alta liquidez porque concentra uma forte base de depósitos do negócio de varejo, principal obtenção de recursos.
Até setembro deste ano, o Santander tinha 1,07 bilhão de euros em ativos geridos de mais de 65 milhões de clientes, atendidos por meio de 11.685 pontos de venda, o maior número de agências entre os bancos internacionais. Nos primeiros 9 meses deste ano a instituição obteve um lucro líquido atribuído de 6,9 bilhões de euros, um aumento de 16% em comparação ao mesmo período de 2007, sem incluir os extraordinários. Na América Latina (excluindo o Banco Real) o Santander é responsável pela gestão de um volume de negócios superior a US$ 200 bilhões (incluindo créditos, depósitos, fundos e patrimônios administrados) por meio de 4.638 agências.
A jornalista viajou a convite do Grupo Santander Brasil


