Não adiantam discursos presidenciais alardeando que o Brasil vive uma situação de pleno emprego. Um estudo divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Iepa), do próprio governo, mostrou que o País está longe desta condição.
Como pleno emprego, entende-se a situação de equilíbrio entre oferta e demanda de produção, capital e trabalho. Ou seja, quando todo cidadão que busca uma vaga para a qual está qualificado encontra o emprego.
O Ipea analisou indicadores como a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
''O pleno emprego é um objetivo, mas ainda está muito longe'', afirma André Calixtre, assessor técnico da Presidência do Ipea. Há ainda muita informalidade e empregos precários. Ele ressalta que o crescimento de postos de trabalho formais - foram 15,384 milhões de novas vagas de 2003 a 2010 - está ''estritamente ligado ao dinamismo econômico''.
E declara não ser verdade o que apregoam analistas de mercado financeiro sobre o risco de inflação caso as taxas de desemprego caiam mais. ''Ainda temos muito espaço para o crescimento do mercado de trabalho'', garante.
Segundo o Ipea, a demanda por mão de obra varia de acordo com o ciclo econômico, e o mercado de trabalho no País ainda é heterogêneo, ao contrário do que ocorre em países desenvolvidos. No entanto, o instituto salienta que houve avanços, como os ganhos salariais reais em alguns setores da economia, com mudança de patamar salarial em algumas profissões, e a falta de mão de obra em outras atividades.
Para o economista do Dieese do Paraná, Cid Cordeiro, é ''inegável'' que as taxas de desemprego estão caindo desde 2004. ''No ano passado, elas ficaram em mais ou menos 6% (segundo o IBGE) e são as menores que o País já teve'', ressalta.
Ele conta que um índice desse é considerado como pleno emprego em países desenvolvidos. Mas, no Brasil, há muita heterogeneidade entre as regiões e também informalidade.
Cordeiro salienta que existem várias metodologias para medir o desemprego e que é preciso tomar cuidado ao analisá-las. A do IBGE, explica, só capta o chamado desemprego aberto. ''Ou seja, aquelas pessoas que procuraram emprego nos últimos 30 dias'', salienta.
Já a PED, do Dieese, segundo ele, capta o desemprego oculto. ''É aquele que se dá pelo trabalho precário, com jornada reduzida, o trabalho descontinuado, ou a própria informalidade'', afirma. Por causa disso, de acordo com Cordeiro, o desemprego medido pelo Dieese no ano passado ficou em 10% na média.

Imagem ilustrativa da imagem Brasil está longe do pleno emprego
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