Brasil está livre da vaca louca, diz assessor dos EUA
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terça-feira, 06 de fevereiro de 2001
Fábio Alves Agência Estado 
Os EUA sabem que Brasil não tem vaca louca, afirmou ontem o assessor do Departamento da Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Kevin Herglotz. Segundo Herglotz, o encontro entre a secretária Ann Veneman e o ministro da Agricultura brasileiro, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, hoje em Washington, foi extremamente cordial. Ele acrescentou que os Estados Unidos têm todo o interesse em trabalhar com o governo brasileiro para resolver a questão da suspensão das importações de carne, especialmente porque o governo norte-americano tem consciência de que o Brasil está livre da doença.
Para Herglotz, a questão será resolvida assim que for concluída a avaliação dos documentos a serem enviados pelo governo brasileiro.
A boa vontade demonstrada não reduziu a indignação de empresários e pecuaristas, que se reuniram em Brasília para tentar forçar o governo a abandonar as formalidades e responder rapidamente os questionários enviados pelos países consumidores de carne brasileira. Os documentos permaneceram engavetados por um ano nos escritórios de Brasília, resultando no bloqueio do ingresso da carne brasileira na área do Nafta, a partir do veto canadense, na semana passada.
Esforço comprometido O episódio poderá afetar todo o esforço do setor agropecuário para melhorar as condições sanitárias do rebanho e, com isso, elevar a participação da carne bovina do Brasil no mercado internacional.
Essa situação foi desencadeada por uma manobra do Canadá, um dos importadores menos importantes do produto brasileiro. O Canadá importou apenas US$ 5,37 milhões no ano passado.
O Brasil teve grande parte do território nacional declarado zona livre de aftosa pela Organização Internacional de Epizootias (OIE), depois de uma grande campanha de combate à doença envolvendo produtores, associações de classe e os governos federal e estaduais. O resultado desse esforço se refletiu rapidamente nas vendas externas de carne, que vêm ganhando dimensão desde 1998.
Os embarques de carne bovina em 1999 foram 25% mais elevados que em 1998. Mesmo com a significativa queda dos preços no mercado internacional, o Brasil praticamente conseguiu repetir em 2000 a marca do ano anterior, de um faturamento de US$ 755 milhões.
A promessa para este ano era de uma expansão das vendas externas em torno de 24%, chegando a US$ 940 milhões, segundo o consultor José Vicente Ferraz, diretor técnico da empresa de consultoria FNP. Além de ampliar o volume das vendas para os clientes tradicionais, como os países europeus, havia a expectativa de vender mais para os Estados Unidos, que enfrentam um déficit de carne de dianteiro de boi para preparar hambúrguer. Também era grande a possibilidade de aumentar as vendas para a Ásia, cujo consumo cresce rapidamente.
Apoio Dirigentes de frigoríficos e exportadores vêem como única saída para derrubar o bloqueio criado pelos países do Nafta à carne brasileira o apoio dos EUA. A principal preocupação é de que os países da União Européia, compradores de 66% da carne embarcada pelo Brasil, sigam a orientação dos membros do Nafta.
Esta é uma guerra comercial, cujo interesse maior se denomina Bombardier e pela qual nós, produtores de carne, estamos pagando o pato, afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne, Edvar Queiroz. Na sua avaliação, o Canadá está se aproveitando de uma questão burocrática referente ao controle da encefalopatia espongiforme bovina (EEB), a doença da vaca louca, para retaliar o Brasil por conta da disputa pelo mercado internacional de jatos regionais entre a empresa canadense Bombardier e a brasileira Embraer.
O presidente da Abiec explicou que os Estados Unidos podem ajudar o Brasil, interferindo no governo do Canadá. Hoje, em cada pacote de sopa americana há um pouco da carne brasileira. Os Estados Unidos são os maiores prejudicados se deixarem de comprar carne do Brasil, observou.
Queiroz reafirmou que a saída para o impasse com o Canadá deve ser pela via política, porque é muito difícil para os empresários se defenderem através de algum outro meio, como a a abertura de uma ação por rompimento de contrato por parte das empresas canadenses.


