Genebra - O Brasil está fora do radar dos principais especialistas do mundo como um dos 11 países mais atraentes para receber investimentos até 2007. A avaliação faz parte de um relatório da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), que elaborou um ranking com os destinos com maior potencial de atração de investimentos estrangeiros diretos. A classificação é encabeçada pela China, seguida pela Índia. Entre os países latino-americanos, apenas o México consegue espaço no ranking, preparado a partir de avaliações de 87 especialistas de instituições como ABN AMRO Bank, White & Case e Deloitte & Touche.
O Brasil apenas aparece entre os destaques na América Latina, juntamente com o Chile. Segundo o estudo, a região terá aumento de investimentos até 2005, mas o ritmo pode ser desacelerado até 2007, apesar de se manter positivo. Usando dados do Banco Central, a Unctad aponta que o País deverá receber US$ 13 bilhões em investimentos neste ano. Em 2005, analistas de fora da ONU apontam que o volume poderia chegar a US$ 16 bilhões.
Pelo estudo da ONU, os setores mais beneficiados na América Latina devem ser o de mineração, petróleo e agricultura. Têxteis, químicos, alimentos e hotéis e turismo são outros setores que podem receber capital estrangeiro. Para os analistas, porém, o fato de a América Latina receber parte importante de seus investimentos em setores primários explicaria a presença de apenas um representante da região entre os países mais atraentes para o capital.
Enquanto isso, os asiáticos aparecem como destino provável nos próximos anos de investimentos em máquinas, automóveis, eletrônicos, bancos e transporte. Não é por acaso, portanto, que dos 11 principais destinos de capital 6 sejam asiáticos (China, Índia, Tailândia, Malásia, Cingapura e Coréia). Parte da perda de espaço da América Latina também pode ser explicada pelo fato de que, em pouco tempo, o mercado consumidor asiático será o mais interessante para a expansão das companhias.
''O crescimento de uma classe média na Ásia está atraindo várias empresas que querem estar nas proximidades dos futuros mercados consumidores'', afirmou Ludger Odenthal, um dos autores do estudo. A China e a Índia, por exemplo, promoveram reformas que tiraram 200 milhões de pessoas do estado de extrema pobreza. O estudo ainda mostra uma caracterítica da América Latina: 80% dos investimentos devem ocorrer no setor de aquisições, enquanto no mundo 60% dos investimentos vão para a criação de unidades industriais.

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