Brasil está em antepenúltimo lugar em ranking de computação em nuvem
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de maio de 2016
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Apesar de todos os benefícios que a computação em nuvem pode trazer, a tecnologia ainda caminha a passos lentos no Brasil. Segundo levantamento da BSA The Software Alliance, o País ocupa o antepenúltimo lugar em ranking que avalia políticas relacionadas à nuvem computacional. Japão e Estados Unidos estão nos primeiros lugares. O estudo considerou 24 países responsáveis por 80% do mercado de Tecnologia da Informação (TI).
A avaliação é baseada em sete áreas. As principais fraquezas do Brasil estão relacionadas ao âmbito legislativo, que impede avanços nas áreas de privacidade de dados e de proteção à propriedade intelectual. Por outro lado, o País avançou nas áreas de segurança, infraestrutura e liberdade de internet, fazendo com que sua pontuação passasse de 44,1 para 48,5 da edição última do estudo, em 2013, para a atual.
"A computação em nuvem democratiza o uso de tecnologias avançadas, permitindo que qualquer um uma startup, um consumidor, uma pequena empresa, ou uma entidade governamental tenha acesso a tecnologias de uma maneira eficiente e econômica. Estes serviços, por sua vez, abrem as portas para conectividade, produtividade e competitividade sem precedentes", explica Leticia Lewis, diretora de políticas públicas da BSA.
Sob demanda
A nuvem computacional permite o usufruto de tecnologias como um serviço sob demanda contratado de acordo com a necessidade de cada cliente - e que gera economia à medida que gastos com infraestrutura, gerenciamento, manutenção, segurança e outras despesas são compartilhadas com outras empresas que usam os mesmos recursos. Exemplo de solução que utiliza a computação em nuvem é o Big Data, tecnologia de processamento de grandes volumes de dados a fim de gerar valor a uma empresa.
"Tendo em vista todas as oportunidades que a computação em nuvem representa, é primordial que os países adotem políticas que permitam o crescimento desta indústria", pontua Letícia. Para ela, a privacidade de dados e a proteção à propriedade intelectual são imprescindíveis para a segurança e a evolução da computação em nuvem. "O sucesso da computação em nuvem depende da habilidade dos provedores de mover informação na nuvem e através de fronteiras da forma mais eficiente possível, sem obstáculos desnecessários. Leis e regulamentos que tratam de privacidade de dados devem permitir o fluxo de informações e, ao mesmo tempo, proteger a privacidade dos usuários." Na visão da diretora, os consumidores só se sentem confortáveis para utilizar a computação em nuvem se sabem que terão controle sobre seus dados pessoais.
Direitos
Legislação e políticas públicas na área de propriedade intelectual garantem a proteção desse direito que é considerado a "base da computação em nuvem". No relatório, a BSA apontou que o País não atualizou suas leis de direitos intelectuais para cobrir novas tecnologias. Além disso, a pirataria no Brasil está disseminada, e punições são raras. "O Brasil ainda não ratificou o Tratado de Direitos Autorais da Organização Mundial da Propriedade Intelectual, mas deveria fazê-lo. Os processos judiciais no Brasil também são muito lentos, o que impacta de forma negativa a habilidade dos detentores de direitos da propriedade intelectual de proteger seus direitos", ressalta Letícia. Neste quesito, o Brasil possui uma das piores pontuações em comparação com os demais países do ranking.
Por outro lado, a diretora da BSA destacou os esforços do País na implantação de regulação que autoriza o uso de assinaturas digitais e o Marco Civil da Internet, que contribuíram para que o Brasil elevasse sua pontuação na área de Segurança. Ela também cita avanços na área de Liberdade da Internet. "O Brasil não obriga a censura ou filtro de conteúdo online. A liberdade de expressão é amplamente protegida pela Constituição Federal. E o Marco Civil da Internet de 2014 requer que os provedores de serviço tratem igualmente quaisquer dados e proíbe o bloqueio, monitoramento, filtro, ou análise de pacotes de dados, com poucas exceções específicas."
Em questões relacionadas à infraestrutura, o Programa Nacional de Banda Larga aumentou o acesso à banda larga no País, ainda que haja "muito a ser feito". "O Brasil tem a maior taxa de penetração de banda larga na América do Sul. Entretanto, ainda não figura entre os 50 países do mundo com maior taxa de penetração. Isso demonstra que ainda há ampla oportunidade para melhorias nesta área."



