Brasil está 'blindado' para enfrentar a crise
A crise é financeira, não econômica. O cenário ainda é nebuloso mas, por enquanto, nenhum país está em recessão. Em maior ou menor índice todos apresentam crescimento econômico e a economia brasileira está crescendo mais do que a média mundial. Além disso, outros fatores contribuem para que o País fique ''blindado'' à crise, como nível de reservas alto e auto-suficiência em petróleo. ''A depreciação do Real em virtude de 'n' fatores pode fazer com que produtos e serviços importados fiquem mais caros, o que pode pressionar a inflação interna'', explica o economista Azenil Staviski.
E este fator merece cuidado por parte das empresas, uma vez que as importadoras terão custo mais elevado. ''As que exportam vão aumentar a receita, mas as empresas que têm dívida em dólar, uma vez que muitas captaram recursos no exterior, terão o custo da sua dívida mais elevado'', comenta Staviski. Se os países entrarem em recessão o crédito vai ficar mais difícil porque a taxa de juros será elevada e, consequentemente, vai cair a liquidez internacional. E, neste caso, uma das preocupações dos governos deverá ser o ajuste fiscal.
Isso significa que os governos terão que qualificar os gastos públicos, ou seja, passar a gastar bem e gastar menos. ''Isso quer dizer que os governos não vão poder continuar tributando como vem fazendo nos últimos anos. Vai ter que baixar a tributação para incentivar o crescimento e deixar mais renda disponível ao cidadão. Esse dever todos os países terão que passar se ocorrer um desaquecimento da atividade real das economias'', salienta o economista. Ele acrescenta que nenhuma crise financeira surge de uma hora para outra e que a causa foi o volume de crédito oferecido no mercado.
''O volume de crédito muito alto nos Estados Unidos possibilitou que as pessoas adquirissem bens acima da capacidade de pagamento. Ou seja, as pessoas se endividam além da condição de pagamento e como esses pagamentos não se realizaram dentro do previsto, então, começou a ter as crises financeiras'', continua Staviski. No Brasil, embora o volume de crédito tenha crescido nos últimos anos, a avaliação é que o sistema bancário nacional está agindo com mais cautela do que as instituições americanas.
''No Brasil não deve acontecer o mesmo porque há um déficit habitacional muito alto e temos uma demanda bastante aquecida e que pode ser duradoura. O pior será a necessidade de aumento da taxa de juros, que pode criar problemas de pagamento futuro, mas isso não chega a ser preocupante, embora, toda dívida seja preocupante'', avalia Staviski. (F.M.)





