Brasil está avançado na tecnologia de combustíveis
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de abril de 2002
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba Enquanto o mundo inteiro segue com preocupação a crise no Oriente Médio e suas consequências no mercado do petróleo, o Brasil tem chances de enfrentar esta situação em posição privilegiada em relação à maioria dos outros países. A opinião é da engenheira Ivonice Aires Campos, coordenadora de Ações de Desenvolvimento Energético do Ministério da Ciência e Tecnologia, que faz a palestra de encerramento hoje, às 17 horas, no seminário Combustíveis e Tecnologia Automotiva, que está sendo realizado em Curitiba.
Nós já temos tecnologias próprias, como a mistura do álcool à gasolina ou do álcool ao diesel. Quer dizer, o Brasil está à frente em termos de biocombustíveis de qualidade. Essa vantagem, segundo ela, é resultado da experiência de 25 anos de uso de álcool como combustível, o que propiciou, inclusive, uma logística favorável. Hoje, além do álcool ser produzido em diversos locais, existe uma rede de 25 mil postos de distribuição do produto.
Situações como a crise do Oriente Médio, diz ela, acabam despertando maior interesse por produtos alternativos ao petróleo. É o caso do Japão e da Índia, por exemplo, que estão negociando troca de tecnologias com o Brasil.
Mas a preocupação em melhorar os aditivos para os combustíveis não se resume à economia. É também um problema ambiental. Tanto que o transporte dos participantes do seminário está sendo feito com um ônibus-piloto em uma nova tecnologia que está sendo desenvolvida em conjunto entre o Ministério de Minas e Energia e o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). O veículo usa como combustível 8% de álcool, 2,6% de ester de soja e é pelo menos 30% menos poluente do que os tradicionais.
Nesse sentido, também está sendo discutido o uso de óleos vegetais e de hidrogênio como alternativas. Estamos saindo da era do petróleo para entrar na era do hidrogênio, que é a melhor forma de estocagem de energia, diz Ivonice, que acredita que em cinco a seis anos este método já possa ser usado no País.


