O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, disse ontem, após audiência com o presidente FHC, que o governo brasileiro aguardará até a próxima semana para adotar medidas mais duras contra o Canadá, como represália ao embargo imposto pelo governo canadense à carne brasileira. ‘‘Nossa expectativa é de que o assunto seja resolvido com a vinda da missão técnica canadense ao Brasil na próxima semana. É claro que o governo brasileiro já está estudando alternativas caso o Canadá não reveja sua posição. O que aconteceu foi muito grave. Temos um arsenal pesado para usar se for necessário’’, afirmou o ministro.
Pratini disse que o Canadá está prejudicando os interesses brasileiros no mercado internacional de carnes adotando uma medida que não tem sustentação científica. ‘‘Tomaram uma medida em cima de risco teórico, ninguém está nos acusando de termos a doença da vaca louca, mas sim por questöes burocráticas’’, salientou. Pratini reiterou que em nenhuma das cinco ocasiões em que esteve reunido com o ministro da Agricutura do Canadá, Lyle Vanclief, este assunto foi discutido. ‘‘Ficar se apegando a firulas burocráticas sobre a remessa de questionário para adotar uma medida desta seriedade é um absurdo’’. O cerne da questão é que o Brasil é livre da EEB (Encefalopatia Espongiforme Bovina) e que nós mandamos, além da resposta em 1998, todas as informações complementares na semana passada ao Canadᒒ, salientou’’.
Pratini esteve com o ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, tratando do mesmo tema e, ao final, sobre as medidas de retaliação que o Brasil irá adotar, resumiu: ‘‘A conta poderá ser muito alta’’. Técnicos do governo, no entanto, informaram que entre os principais negócios que o Canadá tem com o Brasil, que poderiam ser prejudicados, estão as exportações canadenses de cloreto de potássio (cerca de US$ 180 milhões anuais), enxofre e papel de imprensa, entre outros.
Empresas privadas, segundo esses técnicos, já estariam analisando a possibilidade de importar cloreto de potássio da Polônia e da Rússia. Além dessas áreas, os investidores canadenses poderiam ter ‘‘dificuldades’’ em investir na área de telecomunicações no Brasil. Entre as grandes empresas que atuam nessa área no País estão a Bell Canadá e a TIW, que são controladoras das empresas de telefonia fixa e móvel brasileiras.
Com relação aos Estados Unidos, que por fazerem parte do NAFTA também acabaram seguindo o Canadá e suspendendo as importações de carnes brasileiras, o ministro da Agricultura está otimista. Segundo o ministro, o embargo também deverá ser solucionado nos próximos dias. Pratini disse que os EUA estão avaliando a conveniência de mandar uma missão conjunta com o Canadá para obter as informações sobre o controle que o Brasil exerce sobre a EEB, ou vaca louca. ‘‘Os Estados Unidos tomaram uma posição de cautela nesse episódio’’, salientou, ressaltando o fato de que os americanos não retiraram os produtos brasileiros derivados de carne dos supermercados.
As negociações sobre a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) também estão ameaçadas em decorrência da retaliação imposta pelo Canadá às exportações basileiras de carnes. ‘‘Não há como discutir esse assunto quando um dos parceiros toma uma atitude dessa natureza’’, enfatizou, informando que o setor privado apóia esta decisão.

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