Acordo sobre em tecnologia militar foi o principal destaque de um encontro que tratou pouco de economia, a julgar pelo enforque as agências de notícias
Moscou – O presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, e seu colega russo, Vladimir Putin, decidiram ontem, durante uma reunião no Kremlin, intensificar a colaboração bilateral em diversos âmbitos e reiteraram o apoio a luta antiterrorista.
Cooperação em alta tecnologia, luta contra o terrorismo e a situação no Afeganistão e Oriente Médio foram os principais temas da reunião.
‘‘Apesar das grandes distâncias que separam nossos dois países, nossas relações, em particular nos últimos tempos, se desenvolvem de maneira bastante intensa’’, disse o presidente Putin no início do encontro.
O presidente Fernando Henrique Cardoso destacou o apego dos dois países ao princípio de um ‘‘mundo multipolar’’ e a importância que concedem ao papel da ONU.
A Rússia defende uma ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas e considera que o Brasil, ‘‘membro influente da comunidade internacional’’, é ‘‘digno de se tornar um membro permanente do Conselho de Segurança’’, segundo uma declaração conjunta assinada pelos dois dirigentes.
Putin e Cardoso também ‘‘confirmaram a intenção de colaborar na luta contra o terrorismo internacional, que deve ser realizada com respeito ao direito internacional e aos princípios e normas da ONU’’.
Na mesma declaração, os dois presidentes informam que estabeleceram um acordo para, em breve, assinar um memorando sobre a cooperação no âmbito da tecnologia militar.
Pronunciando-se a favor da redução do número de armas estratégicas de ataque, os dois chefes de Estado afirmaram que o tratado antimísseis (ABM de 1972) é ‘‘uma das construções essenciais do direito no campo da estabilidade estratégica’’. Os Estados Unidos anunciaram que se retirarão desse tratado no próximo verão (hemisfério norte), para desenvolver seu escudo antimísseis, contra a opinião da Rússia.
O presidente brasileiro informou que convidou Putin a visitar o Brasil este ano.
Os dois dirigentes também assinaram um tratado sobre extradição e um programa de intercâmbio cultural, educativo e esportivo para os anos 2002-2003.
Segundo a declaração dos dois presidentes, Rússia e Brasil também vão colaborar no setor aeroespacial e de telecomunicações, e desenvolverão ‘‘novas tecnologias no âmbito nuclear, respeitando os princípios de proteção do meio ambiente e de não proliferação’’.
Os intercâmbios comerciais entre Rússia e Brasil somaram 1,5 bilhão de dólares em 2001, informou Putin com base em um balanço provisório.

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