Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro João Manuel Durão Barroso, reunidos ontem na cimeira Brasil-Portugal, decidiram estimular o diálogo entre empresários e a formação de joint ventures com o objetivo de ampliar a corrente de comércio e de investimentos entre os dois países. A declaração conjunta assinada pelos dois chefes de Estado reconhece que ''o patamar alcançado pelas relações comerciais bilaterais ainda não traduz, em sua plenitude, as reais potencialidades econômicas de cada país''.
No ano passado, a corrente de comércio entre Brasil e Portugal atingiu apenas US$ 771,7 milhões - o que representa menos de 1% do total das exportações e importações brasileiras. As importações brasileiras feitas de Portugal foram as que mais caíram na última década, enquanto os investimentos diretos portugueses no Brasil têm aumentado.
Durante a manhã, o comércio bilateral também fez parte de uma conversa entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, e o ministro da Economia de Portugal, Carlos Manuel Tavares da Silva. Nela, decidiu-se aprofundar os contatos com vistas às oportunidades mútuas de negócios.
''Apesar do volume significativo de investimentos portugueses no Brasil e do crescente interesse do empresariado brasileiro em Portugal, o comércio bilateral ainda está aquém de seu potencial'', disse Lula, durante um rápido pronunciamento no Itamaraty, seguido do discurso de Durão Barroso.
''No campo econômico, o Brasil tem sido um dos principais destinos do investimento português no exterior e assim continuará a ser porque acreditamos no Brasil e temos uma grande ambição conjunta'', afirmou o primeiro-ministro, ressaltando que seu país também pode oferecer uma boa porta de entrada aos investidores brasileiros para o mercado consumidor europeu. ''O mercado europeu será o maior mercado do mundo, já agora com quase 450 milhões de pessoas com grande poder de compra'', salientou.
ONU - Além da discussão econômica, os dois governantes também emitiram posição favorável à reforma na estrutura da Organização das Nações Unidas (ONU), assim como às candidaturas de ambos os países a uma vaga no Conselho de Segurança da ONU. O Brasil disputa a indicação como membro permanente, enquanto Portugal pleiteia uma das vagas européias para o biênio 2011-2012.
Lula pediu a Durão Barroso empenho para a assinatura, ainda neste ano, do acordo de associação do Mercosul com a União Européia. ''O Brasil e o Mercosul oferecem uma porta de entrada privilegiada para a participação de capital português no processo de integração sul-americana, em especial de órgãos de infra-estrutura'', disse Lula.

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