Brasil é 'paraíso' para energéticas
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sábado, 16 de setembro de 2000
João Caminoto Agência Estado De Londres 
Quando o governo brasileiro começou chamar em setembro de 1999 investidores estrangeiros para construir usinas de energia no Brasil para atender à demanda de consumo no País, dezenas de empresas energéticas estrangeiras foram correndo. Um ano depois, entretanto, a euforia inicial dos investidores foi substituída por uma série de preocupações sobre o sistema de regulamentação, projeto financeiro e carência de equipamentos, afirmava artigo do diário britânico Financial Times, na semana que passou.
Segundo o jornal, o Brasil é hoje uma das maiores oportunidades de investimento para empresas do setor de energia. Ao longo dos próximos cinco anos o País vai precisar entre 20.000 e 25.000 megawatts de capacidade de geração adicional mais do que toda a capacidade de geração da vizinha Argentina.
Segundo o plano governamental de emergência de geração de energia, serão necessárias 49 novas termoelétricas para gerar cerca de 18.000 MW utilizando gás natural doméstico e da Bolívia. O plano exige investimentos estimados em US$ 6,6 bilhões. O Brasil é provavelmente o melhor lugar para uma companhia energética que quer crescer, disse ao FT Michael Dulaney, presidente da Duke Brazil, uma subsidiária da Duke Energy, empresa norte-americana.
Dezesseis consórcios receberam autorização da Aneel para gerar um total de 3.362 MW até o próximo ano. Entre eles, Duke, El Paso, AES e Texaco dos Estados Unidos, Endesa da Espanha, Electricidade de Portugal, Marubeni do Japão e ABB, da Suíça.
Segundo o FT, os críticos afirmam que a abertura do setor energético do Brasil, a sua privatização e desregulamentação podem ter acontecido de uma maneira muito rápida, sobrecarregando as agências regulamentadoras e os fornecedores de equipamentos.
É como trocar os pneus de um carro em movimento, disse ao FT José Bestard, vice-presidente da Enron South America. Com os atuais planos de expansão de usinas na Europa e nos Estados Unidos, a oferta de turbinas já está pequena. Há muita competição por recursos limitados para se obter uma expansão intensa num curto período de tempo, disse Bestard, que questiona a capacidade do governo brasileiro de lidar com todos projetos simultaneamente. O processo de obter licenças ambientais pode levar mais de um ano.
O governo insiste que cerca de 3.300 MW serão conectados no próximo ano. Mas segundo o FT muitos analistas têm dúvidas. Achamos que o cronograma do governo é um pouco otimista, disse Pontes.


