Brasília - O governo brasileiro recebeu ontem apoio do Paraguai para a união entre os países do Mercosul nas negociações comerciais com o restante do mundo. Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, divulgaram um comunicado conjunto reiterando ''a necessidade de que os dois países mantenham, no âmbito do Mercosul, estreita coordenação e unidade no contexto do processo negociador da Área de Livre Comércio das Américas (Alca)''.
Os dois presidentes, que se encontraram ontem em Brasília para uma visita de trabalho no âmbito do acordo de cooperação entre os dois países, também ''salientaram a importância da coordenação dos Estados partes do Mercosul nas negociações comerciais, em particular na Organização Mundial do Comércio (OMC)''.
Em sua segunda visita ao Brasil depois de eleito - e a primeira depois da posse -, Frutos disse que o presidente Lula ''está impulsionando a humanização das relações internacionais'', ao se preocupar com a dignidade do ser humano e buscar o crescimento econômico sem descuidar da atividade social. ''O desenvolvimento econômico e social dos povos é um pré-requisito básico para que a democracia tenha estabilidade, para que busquemos a paz e a superação da marginalidade, da pobreza de tantos irmãos na região e no mundo.'' Para Frutos, o Brasil tem dado uma contribuição ''significativa para a construção de uma ordem internacional mais justa, para que a globalização econômica facilite a paz e não a polarização dos povos''.
Os ministros das Relações Exteriores dos dois países, Celso Amorim e Leila Rachid, assinaram dois documentos complementares ao acordo de cooperação técnica entre os governos do Brasil e do Paraguai. Um dos acordos foi um memorando de entendimento para a construção de uma segunda ponte sobre o Rio Paraná ligando os dois países, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em valor não divulgado.
Os dois presidentes anunciaram também a realização de estudos para obras de pavimentação de estradas no lado paraguaio, igualmente com empréstimos do BNDES. O objetivo final do Brasil, segundo Lula, é ter uma via de acesso viário ao oceano Pacífico, passando pelo Paraguai.
O segundo acordo assinado pelos ministros prevê a implementação de um projeto de assistência e tratamento a pessoas portadoras do vírus HIV vivendo no Paraguai, a transferência de tecnologia e a capacitação de recursos humanos na atenção e manejo clínico da doença, a doação de medicamentos antiretrovirais e a avaliação da possibilidade de se produzir os medicamentos no país vizinho.
Os dois governos, disse Lula em discurso no palácio do Itamaraty, pretendem também trabalhar juntos no combate à fome, ao crime organizado e ao terrorismo internacional e buscar formas de melhorar o comércio bilateral evitando a dupla tributação e a evasão fiscal.
O presidente paraguaio disse estar tomando medidas drásticas para reduzir o contrabando e a informalidade na economia de seu país. O fluxo de comércio entre os dois países ficou em cerca de US$ 1 bilhão em 2002, com um superávit de US$ 175,4 milhões para o Brasil, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

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