Curitiba - O Brasil já ocupa a terceira colocação na produção de produtos transgênicos com 15,8 milhões de hectares. Só perde para os Estados Unidos que são responsáveis por 62,5 milhões de hectares e para a Argentina que produz 21 milhões de hectares. Hoje, o País tem 14,2 milhões de hectares de soja geneticamente modificada (63,9% do total), 1,3 milhão de hectares de milho (10,6%) e 300 mil de hectares de algodão (35%).
As informações são da engenheira agrônoma Alda Lerayer, diretora executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB). Ela esteve na Redação da FOLHA, em Curitiba, para divulgra o guia ''O que você precisa saber sobre transgênicos'', lançado pelo CIB. A publicação traz informações sobre as principais questões que envolvem a biotecnologia no dia-a-dia da população. A intenção é levar dados para diversos setores da sociedade, em especial os consumidores, a respeito dos transgênicos e de como eles estão presentes na vida dos cidadãos.
No Brasil, segundo Alda, os produtos transgênicos liberados para o plantio são soja, milho e algodão tolerantes a herbicida; e milho e algodão resistentes a insetos. No total são 12 variedades de soja, milho e algodão. Ainda aguardam a aprovação da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), outras variedades de soja, algodão, milho, além de arroz tolerante a herbicida e milhos tolerantes a herbicida e resistentes a insetos. Além disso, há também produtos com características combinadas resistentes a insetos e tolerantes a herbicidas que esperam aprovação.
No Paraná, hoje 56% da soja produzida é transgênica, 5% do milho da primeira safra e 31% do milho safrinha. A diretora do CIB, que é PhD em Genética, destacou que a utilização de produtos transgênicos diminui o custo da produção para os agricultores. Além disso, a soja tem a facilidade do manejo da cultura.
Segundo ela, o alimento transgênico é tão ou mais seguro que um convencional. Alda destacou que estes produtos passam por uma bateria de testes de segurança alimentar e ambiental e são avaliados pela CTNBio.
A estimativa é que 70% de todos os alimentos processados contenham pelo menos um ingrediente derivado de soja ou milho, que podem ser transgênicos.
O professor de biotecnologia e biossegurança da Universidade Federal de Viçosa (MG), Aluízio Borém, esclareceu que o governo estabeleceu comissões de biossegurança para avaliar os produtos antes de colocá-los no mercado. ''Existem casos de produtos que tinham a possibilidade de provocar alergias e foram descartados'', contou. De acordo com ele, são liberados apenas alimentos seguros e que não tragam problemas ambientais. Todas as variedades são submetidas durante a fase de pesquisa a análises de toxicidade, potencial alergênico e composição química nutricional.
Borém lembrou que em maio de 1994 os Estados Unidos produziram comercialmente o primeiro produto transgênico, uma variedade de tomate geneticamente modificado. De lá para cá, nunca foi registrado nenhum problema de saúde provocado pelo consumo desses alimentos.
Ele disse que podem apresentar transgênicos os produtos que levam milho e soja na composição como amido de milho, farinha de milho, óleo de soja, artigos embutidos de carne com proteína de soja, sopas, molhos, condimentos. No entanto, a Lei de Biossegurança determina que todos os alimentos com organismos geneticamente modificados acima de 1% da composição sejam rotulados.

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