Curitiba - O Brasil é o segundo país no ranking mundial de produção de transgênicos, ultrapassando a Argentina e ficando atrás apenas dos Estados Unidos. O País plantou 21,4 milhões de hectares com culturas geneticamente modificadas (GM) em 2009, um crescimento de 35,4% em relação a 2008 (equivalente a 5,6 milhões de hectares). Esses números constam do relatório anual sobre a adoção mundial do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA), divulgado ontem à tarde. Segundo o Conselho de Informações Sobre Biotecnologia (CIB), trata-se do maior índice de crescimento entre os 25 países produtores de transgênicos. A vizinha Argentina produziu no ano passado 21,3 milhões de hectares com culturas GM e os Estados Unidos, 64 milhões de hectares.
O principal motivo de crescimento, explica a diretora-executiva do CIB, Alda Lerayer, é a rápida adoção dos produtores brasileiros pelo milho transgênico, que teve liberação garantida em 2007. ''A adoção foi bastante rápida'', destacando que os motivos da grande adesão foram a redução de custo de produção e maior ganhos de rendimentos.
Há espaço para crescer mais, ressalta a diretora do CIB, lembrando que no Paraná a adoção da cultura GM é crescente, sendo maioria entre a área de milho. ''Cinquenta e três por cento da (atual) safrinha de milho é de sementes transgênicas'', comentou.
A biotecnologia na agricultura já é adotada nos principais Estados produtores brasileiros, entre eles Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Piauí, Maranhão e Tocantins.
Conforme o relatório do ISAAA, 71% dos 21,4 milhões de hectares de culturas GM no Brasil é de soja (16,2 milhões). Em segundo lugar aparece o milho, com 31% (5 milhões de hectares) e na sequência o algodão, com 16% (O,15 milhão de hectares).
Cultivo mundial
O Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações Biotecnológicas Agrícolas estima que o plantio de transgênicos poderá atingir 200 milhões de hectares no mundo até 2015, ante os 134 mi/ha atuais. O crescimento está sustentado na rápida adoção da biotecnologia nos países em desenvolvimento. ''Benefícios como o aumento da produtividade, desenvolvimento de plantas tolerantes à seca e manutenção da sustentabilidade devem estimular pequenos agricultores a utilizarem mais sementes transgênicas nos próximos anos'', afirmou Clive James, presidente do ISAAA, em teleconferência realizada ontem em Pequim, na China.
Dentre as culturas mais importantes, o ISAAA apontou o milho e o arroz como duas culturas importantes neste movimento de expansão, que deve elevar o número de países que plantam transgênicos dos atuais 25 para 40. No primeiro caso, porque o milho é o cereal mais consumido no mundo para a produção de ração, enquanto o arroz é o produto mais utilizado na alimentação humana.
Segundo o ISAAA, a adoção de transgênicos gerou ganhos econômicos de US$ 51,9 bilhões entre 1996 e 2008, reflexo da redução de 50% nos custos de produção e da melhora de produtividade. O instituto aponta ainda que, sem o uso da tecnologia, teriam sido necessários 62,6 milhões de hectares adicionais para obter o mesmo resultado. (Com Agência Estado)

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