Brasil é o País dos microempreendedores
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terça-feira, 02 de outubro de 2012
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
O Brasil é o País das microempresas. É o que aponta um estudo inédito realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) divulgado ontem. De acordo com a entidade, em todo o território nacional existem por volta de 12,9 milhões de empresas - incluindo matrizes e filiais. Do total, 46,82% representam empreendimentos com faturamento anual entre R$ 60 mil e R$ 360 mil, algo em torno de 6,03 milhões de estabelecimentos. Logo na sequência estão os Microempreendedores Individuais (MEI), com representatividade de 30,41% e faturamento/ano de até R$ 60 mil. O IBPT realiza os cálculos através do Empresômetro, uma ferramenta que utiliza como base de dados as informações divulgadas pelas próprias empresas, Receita Federal, Secretarias da Fazenda, Juntas Comerciais, IBGE, entre outras entidades.
O Paraná possui por volta de 891.570 empresas e, com base nos números nacionais, boa parte delas também engrossa a fatia de microempresas. Quem lidera o censo dos empreendimentos é o estado de São Paulo, com 3,78 milhões de estabelecimentos, seguido de Minas Gerais (1,25 milhões) e Rio de Janeiro (1,05 milhões).
De acordo com o coordenador de estudos do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, este é o maior levantamento já realizado sobre o assunto e os números totais acabaram surpreendendo. ''Tivemos acesso a diversos estudos oficiais como os do Rais e IBGE. Em alguns deles o número de empresas calculadas foi bem menor do que o do nosso levantamento. Este resultado impressionante demostra que o brasileiro é um empreendedor, o que ajuda a nossa economia a se consolidar cada vez mais.''
Só neste ano, entre 1º de janeiro e 1º de outubro, 1,29 milhão de empresas foram criadas no País. A marca de 1 milhão foi atingida em 30 de julho, com 32 dias de antecedência em relação ao ano passado. ''Em 2012, a aceleração se dá por conta dos MEIs. As outras modalidades sofreram queda em comparativo aos anos de 2010 e 2011, quando a economia estava mais acelerada'', salienta o economista
O setor de serviços continua sendo um dos principais da economia brasileira, com 5,66 milhões de empresas abertas, sendo 13,13% na categoria de ''serviços diversos''. É neste setor que o número de MEIs e microempresas acaba sendo maior. ''Quando o empreendedor inicia um negócio, ele geralmente não quer desprender um capital elevado. Ele busca fazer a atividade que possui conhecimento'', relata Amaral.
Foi o que em parte aconteceu com a administradora de empresas Mirian Ariyoshi. Depois de trabalhar por anos no setor administrativo de alguns bancos e empresas, ela resolveu abrir um salão de beleza em um shopping. Ela escolheu este tipo de negócio graças a sua mãe, que foi profissional da área por diversos anos e que acabou dando nome ao novo negócio: Fátima Martins Cabeleireiros. ''Minha mãe trabalhava na área, inclusive já teve seu salão próprio. Como eu possuia este sentimento empreendedor, resolvemos abrir o negócio em 2008'', explica ela.
Para permanecer firme no mercado por quase cinco anos, Mirian visitou negócios em outros estados, deixando a gestão do seu empreendimento bastante moderna. Enquanto a empreendedora ficou na administração dos negócios, sua mãe permaneceu na área técnica e comercial. ''Deixamos o salão profissional, com cara de loja. Padronizamos e informatizamos nossos serviços, utilizando softwares e produtos de grandes redes do País.''
Para Mirian, o controle financeiro conservador foi fundamental quando o salão começou a crescer. ''No primeiro ano, crescemos 60% e nos outros uma média de 20%. Sempre mantivemos os pés no chão, sem fazer loucuras para aumentar a capacidade.'' No ano que vem, o conservadorismo da empreendedora começa a dar frutos: em março ela inaugura mais duas lojas em outro shopping, na Zona Leste de Londrina. ''Será o nosso grande salto'', complementa ela.



