Genebra As desigualdades sociais e a falta de infra-estrutura nas regiões menos desenvolvidas do Brasil são os maiores obstáculos para um acesso amplo da população à internet e às novas tecnologias da informação no Brasil. A avaliação é da União Internacional de Telecomunicações (UIT), agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), que ontem publicou seu primeiro ranking dos países com maior acesso à tecnologia da informação. Segundo a classificação, o Brasil aparece apenas na 65 posição entre os países com maior acesso, superado por Chile, Costa Rica, Uruguai, Argentina, Bulgária e Jamaica.
O ranking é elaborado a partir de cinco indicadores: infra-estrutura, preço, capital humano, qualidade e uso da tecnologia. No topo da classificação, está a Suécia, seguida pela Dinamarca e Islândia. Já no outro extremo do ranking, onde o acesso às tecnologias da informação é praticamente inexistente, estão Níger, Burkina Fasso e Mali.
De acordo com os especialistas, o Brasil já conta com uma infra-estrutura adequada em algumas áreas do País e com tecnologia para garantir o acesso a uma parte de sua população. Mas, segundo a UIT, esses serviços ainda estão concentrados em poucas regiões e, no geral, o desempenho do Brasil em garantir infra-estrutura é fraco.
Para a UIT, a liberalização dos serviços ajudou o desenvolvimento de uma estrutura de telecomunicações mais ampla na América Latina durante os anos 90. Hoje, está claro que as privatizações foram importantes, mas que ainda não renderam os benefícios prometidos. Para passar a uma nova etapa, a agência sugere que as disparidades sociais sejam atacadas e que serviços sejam fornecidos para uma maior porcentagem da população.
Segundo o estudo, as tarifas de internet em um mês ainda consomem 11,8% da renda mensal média de um brasileiro. O valor é bastante inferior ao da África, onde o uso de um mês de internet pode custar o equivalente a oito vezes o salário médio de um cidadão. Na Dinamarca, porém, um internauta gasta apenas 0,7% de sua renda mensal pagando as tarifas de internet. Na Argentina, os gastos chegam a 3% da renda média.
Se as desigualdades e a falta de infra-estrutura ainda estão prejudicando o desempenho do País, a UIT aponta que, no que se refere ao capital humano, por exemplo, o Brasil está muito próximo das economias ricas, como Luxemburgo e Hong Kong. O estudo ainda mostra que 8,2% da população brasileira pode ser considerada como usuária da internet, taxa que nos países nórdicos é de mais de 50%.

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