Brasil é o 5º em remessas do exterior
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segunda-feira, 31 de maio de 2004
Agência Estado 
Rio de Janeiro - Os brasileiros que moram no exterior enviam US$ 5,4 bilhões por ano (mais de R$ 16 bilhões) aos seus familiares no Brasil, o que torna o País o quinto maior destino mundial de remessas (atrás de Índia, México, Filipinas e Indonésia) e o segundo da América Latina. A conclusão foi divulgada ontem pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e é fruto de uma pesquisa encomendada pela instituição à consultoria americana Bendixen & Associates.
O total de transferências anuais apurado pelo BID é quase três vezes os US$ 2 bilhões registrados pelo Banco Central brasileiro. Isso acontece, segundo o gerente do Fundo Multilateral de Investimento do BID, Donald Terry, porque mais da metade das remessas são feitas fora dos canais tradicionais. Um exemplo são as remessas feitas com a ajuda de amigos que encontram os remetentes no exterior e trazem na bagagem o dinheiro.
O BC só acompanha envios feitos por meio de operações bancárias. O envio feito pelos Correios também é registrado pelo sistema bancário. O Brasil é o único país do mundo que tem um mercado paralelo de remessas, afirmou Terry, que participou do seminário As Remessas como um Instrumento de Desenvolvimento no Brasil, promovido pelo BID e pela FGV. As autoridades bancárias ainda estão investigando como são feitas as transferências informais.
Segundo o levantamento, os brasileiros que moram nos Estados Unidos e Japão enviam em torno de US$ 2 bilhões por ano. Já os residentes na Europa remetem cerca de US$ 1 bilhão. Outros países respondem por US$ 100 milhões. O presidente da consultoria que fez o estudo, Sergio Bendixen, contou que são entre 2,5 milhões e 3 milhões de brasileiros que enviam recursos para 1,3 milhão de parentes no País.
Os familiares residentes no País recebem, em média, 9,7 remessas por ano no valor médio de US$ 428 cada. Pelo levantamento do BID, 46% das famílias beneficiárias empregam o dinheiro em despesas diárias. Cerca de 40% dos parentes têm renda inferior a US$ 5 mil por ano.
O gerente do BID também lembrou que os bancos brasileiros nunca se interessaram muito em atuar nas remessas. Isso porque há contratos de exclusividade de grandes empresas de transferência de dinheiro (como West Union, nos EUA), o que diminui as opções para quem envia. Além disso, Terry afirma que normas singulares ao Brasil acabam encarecendo os custos de transação. Dos EUA para o Brasil, por exemplo, o custo de envio é de 8,5%, acima da média de 7% da América Latina.


