Brasil é o 4º mais desigual da América Latina
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terça-feira, 21 de agosto de 2012
Nelson Bortolin <br> <br> Reportagem Local 
Apesar do crescimento econômico dos últimos anos, o Brasil continua extremamente desigual. No ranking da desigualdade da América Latina, o País ocupa a quarta posição, perdendo apenas para Guatemala, Honduras e Colômbia. É o que revela o relatório ''Estado das Cidades da América Latina e Caribe'', da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado ontem.
A versão disponível no site www.onuhabitat.org não diz especificamente qual o nível da desigualdade brasileira. Afirma apenas que, nos países menos desiguais, como Venezuela e Uruguai, a diferença da renda entre os mais ricos e mais pobres é de dez vezes. ''Em países com maior desigualdade pode ser superior a 30'', diz o documento.
O estudo mostra que a participação da América Latina na economia mundial cresceu pouco desde 1970. O Produto Interno Bruto (PIB) da região representava 6,5% do total e hoje representa 7%. Internamente, o Brasil responde por 32% do PIB latino-americano e o México, 25%. Os demais países do Cone Sul respondem por 21% da riqueza produzida. Já os andino-equatoriais têm 16%, a América Central, 5%, e o Caribe, só 1%.
O relatório aponta que as principais mudanças na economia da região entre 1970 e 2009 foram o aumento da contribuição do Brasil para o PIB (oito pontos percentuais), um aumento modesto no México e América Central e forte contração do Caribe. ''No caso do Cone Sul, o declínio foi devido em grande parte à menor participação da Argentina'', diz o documento.
A pobreza ainda é muito grande na América Latina, sendo que 180 milhões de pessoas (33% do total) vivem nesta condição. Desta parcela, 71 milhões estão desabrigados. A boa notícia é que os pobres representavam 48% em 1990.
O Haiti continua liderando o ranking dos indigentes e pobres: 70% da população local vive nesta condição. O Brasil é o 13º na lista, com 22% de pobreza e indigência. A pobreza é grande também em Honduras (57%), Nicarágua (54%), Paraguai (48%), Bolívia, El Salvador e Guatemala (42%). Equador e Colômbia têm 40% de pobres e indigentes e a República Dominicana, 49%. Com mais pobres que o Brasil ainda estão México (29%) e Venezuela (28%).
Chile, Argentina e Uruguai são os países proporcionalmente com menos pobres. Os dois primeiros têm 11% da população vivendo nesta condição e o terceiro, apenas 10%.
A ONU estima que entre 60% e 70% do PIB da América Latina seja gerado pelas áreas urbanas. Cerca de 40% das cidades respondem por um terço da riqueza. E metade desta fatia é de responsabilidade de duas cidades brasileiras (São Paulo e Rio de Janeiro), uma argentina (Buenos Aires) e uma mexicana (Cidade do México).
Um ponto preocupante do relatório é a produtividade verificada nos países latino-americanos. Ela apresentou um aumento médio de 1,4% nos últimos 20 anos, enquanto na Índia, cresceu 4,7% e na China, 8,4%. ''Diferentes fatores motivam esta situação. Entre eles incluem os altos níveis de informalidade, falta de acesso ao crédito, a volatilidade macroeconômica, o custo transporte e a pouca inovação'', diz o relatório.
A ONU descreveu uma série de fatores que determinou o desenvolvimento de cidades latino-americanas. Além dos naturais como clima, proximidade com o litoral e recursos como água e petróleo, estão os investimentos em infraestrutura como portos, aeroportos e estradas.



