São Paulo - A expectativa de recuperação nas economias do Brasil e do México neste ano ajudam a puxar as estimativas do Banco Mundial (Bird) para o crescimento da América Latina e do Caribe em 2004. O banco espera que a região tenha uma expansão de 3,8%, impulsionadas pelo aumento das exportações e pela recuperação de países como o Brasil e o México. No caso do Brasil, por exemplo, as projeções são de uma expansão em torno de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) - a soma das riquezas produzidas pelo país. No ano passado houve retração de 0,2%.
Para as exportações, a meta do governo é atingir os US$ 82 bilhões em vendas externas. Ontem, o mercado revisou para cima a estimativa do superávit da balança comercial, para US$ 25 bilhões.
O México teve, no ano passado, um crescimento de 1,2%, pouco acima do 1% do ano anterior, mas conseguiu reverter cinco anos de déficits na balança comercial. Em 2003, o superávit da balança comercial mexicana foi de US$ 20,1 bilhões. No ano anterior, havia registrado déficit de US$ 7,9 bilhões.
As estimativas para a região fazem parte de estudo sobre fluxos de financiamento mundial para os países em desenvolvimento elaborado por técnicos do Banco Mundial e divulgado ontem. ''O crescimento da região tem sido lento devido em parte ao desempenho desigual dos países. Mas parece que a recuperação está se ampliando sobretudo por conta dos impulsos conseguidos pelo Brasil e pelo México a partir do final de 2003'', afirmou o economista-chefe do Banco Mundial, François Bourguignon.
Segundo o Banco Mundial, no ano passado, o PIB da região cresceu 1,3%, após ter recuado 0,6% no ano anterior por conta também da recuperação de países como a Argentina, que começa a sair da recessão de quatro ano que fez sua economia despencar quase 20% entre 1999 e 2002.
Se países como a Argentina, o Uruguai e a Venezuela - que tiveram forte expansão no ano passado porque todos estão saindo de graves crises - os melhores resultados foram conseguidos por nações como Chile, Colômbia e Perú, que cresceram em média 3% no ano.
''A região volta a crescer após sofrer sucessivos problemas externos desde 1990. Por isso, a América Latina deve aproveitar esta oportunidade para reduzir suas vulnerabilidades macrofinanceiras e aumentar a capacidade de recuperação'', afirmou Guillermo Perry, economista do Bird para a América Latina e Caribe.
Para a economia global, o Bird projeta um crescimento econômico de 3,7% neste ano. No ano passado, a expansão mundial foi de 2,6%, maior que o 1,8% de 2002. Já no grupo dos países em desenvolvimento - que inclui além da América Latina, nações da Ásia, como China e Índia - o crescimento foi de aproximadamente 4,8% em 2003. Neste ano deve ser maior: 5,4%, segundo o Bird. Em 2000, essas nações tiveram crescimento de 5,2%.

mockup